1. A história da humanidade tem sido construída, ao longo dos tempos, com a consumação de conflitos entre os povos relacionados com a sua sobrevivência
nos primeiros tempos, evoluindo depois para razões relacionadas com poder económico, religioso, cultural, ideológico, etc. Assim foi e assim continua.
Portugal, a Europa e o Mundo vivem momentos preocupantes carregados de fortes e profundas incertezas.
2. A nível nacional, e depois de quase nove anos de governo de António Costa apoiado pelos partidos de esquerda que paralisou praticamente todos os investimentos públicos e o desenvolvimento do país – conduzindo à situação que temos hoje – continuamos amarrados a soluções de instabilidade política decorrentes da falta do aparecimento de uma liderança forte capaz de aglutinar os portugueses e construir uma maioria eleitoral geradora de um governo com capacidade de levar por diante as reformas de que o país necessita.
Reformas autênticas, como as que promoveu Cavaco Silva com o seu governo, a partir de 1985: a passagem do sexto ano do ensino obrigatório para o nono ano; a retirada do Estado de várias empresas do sector da comunicação social pondo fim ao monopólio da RTP em 1992, contra a vontade de PS e PCP; a abertura ao sector privado do capital de várias empresas estatais como celuloses, tabacos, cervejas, siderurgia, cimentos, banca … ; a eliminação das
barracas que tanto afligiam os centros urbanos, de modo especial Lisboa e Porto, através do famoso P.E.R. – Plano Especial de Realojamento – em 1993 realojando famílias em habitação digna.
Urge, pois, enquanto é tempo, trazer esperança aos portugueses já que o número de descontentes tem vindo a aumentar progressivamente, situação bem patente em cada acto eleitoral, através das elevadas abstenções verificadas e, nos últimos tempos, pela forma como tem vindo a contribuir para o crescimento do partido Chega.
A ausência de reformas tem-nos condenado à letargia económica e à incapacidade de saber dar respostas às grandes preocupações do presente como a saúde, a habitação, a justiça, a burocracia administrativa, a paralisação dos serviços do Estado em geral, constrangendo a concretização de importantes projetos de investimento.
Reformas que contribuam para o melhoramento do desempenho da produtividade e do crescimento económico através da criação de incentivos à captação dos grandes investimentos europeus criadores de riqueza baseados sobretudo na inovação e em recursos humanos qualificados, assim como de reformas que permitam preparar o futuro, pensando sobretudo na
sustentabilidade da Segurança Social de modo que se assegure o cumprimento das suas responsabilidades para com as gerações futuras.
3. A nível Internacional vamos sendo confrontados com situações cada vez mais preocupantes decorrentes de termos um mundo dominado por governantes todo-poderosos, imperialistas, autoritários e insensatos que ignoram o direito Internacional substituindo-o pelo direito da força pretendendo dividir o mundo em áreas de influência e adoptando o pensamento de Tucídides sobre poder e justiça: “os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que devem”.
Cada dia que passa vão-se confirmando as piores expectativas acerca do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre as medidas mais controversas regista-se o fim do apoio económico à Ucrânia, limitando igualmente a entrega de equipamento militar agora suportado pela Europa e a ameaça de rotura de compromissos atlânticos, pressionando os responsáveis europeus a organizarem a sua própria defesa depois de décadas sob proteção estratégica americana.
A instalação da turbulência no seu próprio país ao perseguir, por razões ideológicas, as universidades americanas, pondo fim aos protocolos com elas estabelecidos no âmbito de projetos de investigação que têm permitido aos Estados Unidos a supremacia tecnológica, militar e económica mundial, assim como à perseguição doentia aos emigrantes que estiveram na base do seu nascimento como país e da sua actual posição hegemónica mundial.
A ameaça de tornar o Canadá o 51.º estado norte-americano, a manifestação da intenção de anexar a Gronelândia, a imposição de tarifas a países frágeis dependentes do mercado dos EUA que não se alinhem com a sua política externa, o envolvimento de forma activa na guerra de Israel com países árabes, a violação da soberania de Estados, com a captura do dirigente venezuelano Nicolás Maduro para julgamento em território americano e a asfixia de Cuba.
Agora, e sem consentimento da ONU e do seu próprio Congresso, envolve-se em guerra com o Irão sem avaliar previamente e com rigor a turbulência que iria causar à economia mundial, de modo especial aos países do ocidente, que vêem os seus navios petroleiros e de gás impedidos de passar o estreito de Ormuz, e os destinados à Índia e China não serem objecto de ataques, pairando ainda no horizonte uma ameaça maior com o impedimento da entrada no mar vermelho e o acesso ao canal de Suez por ataques dos houtis do Iémen, amigos do Irão.
Confirma-se que este pretendente ao prémio Nobel da paz constitui mesmo uma das maiores ameaças à paz mundial.
Guimarães, 17 de Março de 2026
António Monteiro de Castro
Publicado em: 17/03/2026