Ai de quem se atreva a dizer-lhe que não é capaz ou que não vai conseguir devido a uma doença que já nem o próprio se lembra. Se avaliarmos este comportamento sem conhecer a história, vamos achar que é ignorância, mas afinal é só alguém com pensamento positivo. Desvalorizar a doença deu-lhe as armas que precisava para lutar pelos seus objectivos sem se fazer de coitadinho. A sua infância foi condicionada pelo cancro, mas no que diz respeito ao presente o limite é o céu.
Há pessoas que carregam histórias que dariam um livro, mas esta teve final feliz. Rui Ribeiro passou a infância entre hospitais, agulhas e tratamentos de quimioterapia, mas nunca quis que a leucemia definisse quem é. Hoje, com 32 anos, é personal trainer e símbolo de superação, não porque tenha vencido uma doença, mas porque escolheu não viver à sombra dela. O mais notável não é o que sofreu, mas o que decidiu fazer com isso: seguir em frente, sem lamúrias, sem pedir piedade, sem se desculpar perante a vida. “Não quero que ninguém olhe para mim como o rapaz que esteve doente”, comentou. “Isso não me faz diferente de ninguém”, rematou.
Foi diagnosticado com leucemia aos dois anos de idade. A infância foi marcada por longos internamentos, consultas intermináveis e tratamentos dolorosos, realidades que ele quase não recorda. “Tenho memórias muito vagas. Lembro-me de estar numa cama de hospital, de ver lá os meus pais, mas não fazia ideia do que estava ali a fazer”, contou descontraído. Durante 12 anos enfrentou quimioterapia e radioterapia, e só aos 14 foi considerado curado. Mas mesmo nessa altura, quando os médicos o avisaram de que teria limitações para o resto da vida, recusou-se a aceitar um destino traçado por outros. “Disseram-me que nunca ia conseguir fazer desporto. Hoje, é disso que vivo”, revelou, com um sorriso que mistura ironia e orgulho.
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Publicado em: 02/12/2025