Acabámos de viver um fim de semana prolongado celebrando três datas importantes para os vimaranenses,
para os cristãos e para os portugueses.
A Festa do Pinheiro, ocorrida no passado Sábado, constitui um momento alto das festas Nicolinas, festas que os estudantes promovem há séculos em Guimarães em honra de S. Nicolau, expressão de um sentimento religioso bem sentido nesta comunidade e bem patente quando 50 estudantes se associaram, em finais do século XVI, fundando a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e dos Santos Passos com aprovação canónica em 9/12/1594 acolhendo-se numa pequena ermida onde mais tarde, em 1785, viria a ser construída a actual igreja dos Santos Passos, no largo República do Brasil, objecto agora de uma importante instalação luminosa moderna, inaugurada na passada sexta-feira pelo Presidente da Câmara Municipal dr. Ricardo Araújo, capaz de acompanhar, com efeitos luminosos, os diferentes tempos litúrgicos e eventos a lá realizar.
Embora durante a manhã as condições climatéricas tivessem ameaçado a festa da noite, a verdade é que o facto de ter coincidido com dia de Sábado contribuiu para ser uma das grandes noites de Pinheiro, com a cidade invadida por uma multidão de jovens e velhos Nicolinos e visitantes entusiastas, lotando de automóveis parques de estacionamento e passeios pedonais, aspecto a merecer alguma reflexão no futuro.
Depois, o Domingo, a assinalar o primeiro dia do Advento, o tempo especial de preparação para a celebração do Nascimento de Jesus, acontecimento anunciado pelos profetas – Isaías (11,1-10), Jeremias (23,5-8), e Malaquias (2,1-4 .2324) – muitos séculos antes e que constituiu a expressão do amor infinito de Deus por a toda Humanidade que vendo a insensibilidade do Homem à Sua palavra proferida pela boca dos Patriarcas primeiro, e pela dos Profetas depois, enviou o Seu próprio filho, verdadeira Luz do Mundo, para iluminar os caminhos da salvação.
Tempo de preparação para viver o acontecimento histórico e mistério de amor que há mais de 2000 anos interpela os homens e as mulheres de cada época e lugar, dia Santo em que brilha a grande luz de Cristo portador da paz. (Bento XVI – mensagem de Natal 2007)
Hoje, dia 1 de Dezembro em que escrevo o presente artigo, dia da Restauração da Independência em que foi posto fim à dinastia Filipina (1580 1640), ocorrida na sequência de uma das maiores catástrofes da história portuguesa, a batalha de Alcácer Quibir, levada a cabo por um jovem e imponderado rei, D. Sebastião, em 4/08/1578 onde ficou sepultada uma parte importante da nobreza portuguesa originando a aclamação de Filipe II de Espanha como rei de Portugal em 12/09/1580.
Depois de um pesado jugo castelhano de 60 anos sobre os portugueses, sentido não só no respeitante à parte fiscal como sobretudo na falta de proteção às colónias ultramarinas e ao envolvimento da nobreza e burguesia portuguesas nas guerras europeias em que Espanha estava envolvida, um grupo de 40 nobres portugueses, conhecidos como conjurados, tomaram o poder em Lisboa no dia 1 de Dezembro de 1640, derrubando o governo Espanhol em Portugal representado pela vice-rainha D. Margarida de Saboia, Duquesa de Mântua, matando e lançando pela janela fora o traidor Miguel de Vasconcelos, secretário de estado, e assumindo o controle administrativo e militar da cidade proclamando o restabelecimento da Independência.
Assim se iniciava a dinastia de Bragança, ao ser aclamado rei D. João Duque de Bragança – D. João IV – descendente da dinastia de Avis, ducado fundado por D. Afonso, filho reconhecido e legitimado por seu pai D. João I, casado com D. Beatriz filha do Condestável D. Nuno Álvares Pereira de quem herdou imensíssimo património e que viria tornar-se um dos mais poderosos e influentes da nobreza portuguesa que muito contribuiu para a eliminação de D. Pedro por seu sobrinho, D. Afonso V, na batalhe de Alfarrobeira.
A paz, porém, só viria a ser alcançada depois de uma pesada derrota de Castela na batalha de Montes Claros em 11/06/1665 seguida da assinatura do Tratado de Lisboa em 13 de fevereiro de 1668 que reconhecia, finalmente, D. Afonso VI, filho de D. João IV, como rei de Portugal.
Votos de Feliz e Santo Natal para todos.
Guimarães,
1 de Dezembro de 2025
António Monteiro de Castro
Publicado em: 02/12/2025