Basta sair de casa antes das oito para perceber que o outono já se instalou no Minho. Os vales ficam tapados por uma névoa espessa que demora a levantar, os aguaceiros sucedem-se e, em certos pontos da A7 e da A11, a estrada à frente desaparece sem aviso. Nestas semanas, as luzes de nevoeiro deixam de ser um pormenor do tablier e tornam-se uma questão de segurança. E é também agora que mais se nota quem as usa mal, seja porque só as acende quando já quase não vê nada, seja porque confunde a da frente com a de trás, seja porque continua com elas ligadas muito depois de o tempo melhorar.
O Código da Estrada distingue claramente as duas luzes, e cada uma tem o seu papel.
Quem já ligou os máximos dentro de um banco de nevoeiro conhece o resultado. A luz bate nas gotículas de água e devolve uma parede branca. Os faróis de nevoeiro foram pensados para contornar esse efeito. O feixe incide no piso num ângulo mais inclinado, é largo, tem um corte bem definido e alcança cerca de 25 metros, menos do que os médios. Assim, a luz dispersa-se menos nas gotas de água e o condutor fica menos encandeado pelo próprio reflexo. Quem quiser perceber em detalhe o que distingue o feixe dos faróis de nevoeiro encontra uma explicação técnica mais completa sobre a sua posição e o seu alcance.
Numa estrada municipal envolta em neblina ou numa saída de autoestrada ao amanhecer, isto significa ver melhor a berma, as marcas no chão e o início das curvas. Funcionam em conjunto com os médios, nunca em substituição destes. Se o seu carro novo não os tem, não é necessariamente uma falha, porque alguns fabricantes deixaram de os montar, já que os faróis principais modernos, sobretudo LED, conseguem cumprir funções equivalentes.
O indicador dos faróis da frente acende geralmente a verde e mostra um semicírculo à esquerda, com três traços oblíquos a atravessar uma linha ondulada vertical. O da luz traseira costuma ser âmbar, com os traços na horizontal.
Em regra, ligam-se manualmente, e o mesmo comando pode ter uma posição adicional para a luz traseira. O interruptor fica normalmente na alavanca junto ao volante ou do lado esquerdo, abaixo do painel de instrumentos. Como cada marca organiza os comandos à sua maneira, o manual do proprietário continua a ser a referência mais segura.
Antes de as manhãs ficarem mais escuras, teste as luzes com o carro parado. Uma lâmpada fundida costuma descobrir-se precisamente no dia em que mais falta faz.
O artigo 61.º do Código da Estrada obriga a usar as luzes adequadas sempre que o tempo ou o ambiente tornem a visibilidade insuficiente, como acontece com nevoeiro, chuva intensa, neve, fumo ou pó. No outono minhoto, os dois primeiros casos são os mais comuns, com o nevoeiro matinal nos vales e as chuvadas fortes que, na autoestrada, se somam à água projetada pelos pesados.
A mesma lei proíbe o excesso. Não é permitido usar as luzes de nevoeiro quando as condições não o justificam. O caso mais sensível é a luz traseira. As regras europeias de homologação definem-na como um sinal vermelho mais intenso do que as luzes de presença traseiras, que tem de emitir pelo menos 150 candelas nos eixos principais e nunca mais de 300 por farolim. Num nevoeiro cerrado, essa potência é exatamente o que se pretende. Com boa visibilidade, encandeia quem segue atrás, sobretudo à noite e com o asfalto molhado a refletir o brilho, e pode disfarçar as luzes de travagem.
Quem não cumprir arrisca uma coima, já que salvo sanção mais grave prevista noutra norma, a infração é punida com 30 a 150 euros.
Nenhuma luz, porém, substitui o essencial em dias de nevoeiro.
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Publicado em: 28/10/2026