No silêncio solene que antecede a despedida, onde a medicina muitas vezes esgota o seu vocabulário, existe uma outra linguagem. É a linguagem do conforto, da escuta activa e da paz possível. Quem a fala com fluidez é Maria Celeste Gonçalves, chefe de serviço dos Cuidados Paliativos da Unidade de Saúde Local do Alto Ave. Por ocasião do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, a 11 de Outubro, a sua voz não é a de uma técnica, mas a de uma testemunha. Uma médica que trocou o bloco operatório pela complexidade imensurável da alma humana, encontrando na proximidade com o sofrimento a sua verdadeira definição de cuidado.
A sua jornada é, por si só, um testemunho de uma vocação que se foi desenhando com a vida. Formada em 1986, começou por ser médica de família, mas rapidamente se desiludiu com a “burocracia”, disse. Seguiu para a anestesiologia, especialidade na qual trabalhou durante muitos anos, paralelamente com os cuidados intensivos. No entanto, foi em 2013, por convite da direcção clínica do hospital, que abraçou o desafio de criar a equipa de cuidados paliativos, uma área para a qual já tinha formação e uma motivação pessoal profunda.
Maria Celeste Gonçalves é o exemplo das características que todos os médicos deviam ter. Tem uma voz que acalma e palavras que curam na hora certa. É bondade, generosidade e entrega a uma profissão. Ser profissional de saúde tem um peso maior do que alguns que o são podem ou sabem carregar. Mas esta médica, cujo percurso a levou até aos CP, é a profissional que qualquer doente deseja que lhe calhe em ‘sorte’.
Entrevista completa na BIGGERmagazine de Outubro!
Publicado em: 26/09/2025