Numa casa discreta de Guimarães, há uma colecção que poucos imaginariam encontrar. São cerca de 200 instrumentos de cordas, alguns com mais de um século, cuidadosamente guardados e preservados ao longo de décadas. Não estão expostos ao público, nem fazem parte de um museu, mas carregam um valor histórico e emocional difícil de medir. Entre bandolins, mandriolas, bandolas e outras raridades, constrói-se um verdadeiro arquivo sonoro de outros tempos. Cada peça tem uma origem diferente, um percurso desconhecido e uma identidade própria. Algumas atravessaram gerações, outras vieram de países distantes, mas todas acabaram reunidas no mesmo espaço, unidas por um critério simples: a paixão de quem as escolheu. Mais do que uma colecção, trata-se de um trabalho de vida, feito com paciência, persistência e um olhar atento ao detalhe. Um espólio que cresce há mais de 40 anos e que, até hoje, permanece praticamente invisível ao olhar da comunidade. É esse o universo de Francisco Cardoso. Tem 65 anos, nasceu e vive em Guimarães. Há muitos anos que trabalha como técnico profissional nos CTT, portanto é natural que a cara deste coleccionador lhe seja familiar, e no tempo livre dedica-se a esta paixão. Ao longo dos anos, foi reunindo uma colecção que hoje ronda as duas centenas de instrumentos.
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Publicado em: 27/04/2026