Num hospital onde a dor é presença constante, a psiquiatra Filipa Alves, doutoranda em Medicina, decidiu procurar um caminho diferente. O resultado chama-se «Entre Patas e Afectos», um programa inovador de terapia assistida por cães dirigido a pessoas com fibromialgia, que cruza ciência, vínculo e uma visão profundamente humana da saúde, e que está a ser testado na Unidade Local de Saúde do Alto Ave orientado pela médica anestesiologista Laurinda Lemos, e pelo professor doutor Armando Almeida, ambos especialistas no tratamento da dor. O trabalho foi selecionado entre 50 submetidos a concurso pela Iniciativa Médica 3M.
A escolha da psiquiatria nasceu de uma experiência pessoal. “Ver o sofrimento e tentar ajudar” tornou-se uma missão que moldou o seu percurso profissional.
Hoje, integrada numa unidade multidisciplinar de dor, acompanha doentes com fibromialgia, uma condição tantas vezes incompreendida. Durante muito tempo associada quase exclusivamente a factores psicossomáticos, a evidência científica tem vindo a demonstrar alterações no sistema nervoso central, nomeadamente ao nível da hipersensibilidade central e dos mecanismos descendentes da dor. “As teorias estão a afastar-se daquela componente exclusivamente emocional de origem”, sublinhou. Ainda assim, “sabemos que a parte emocional influencia a dor”, reforçou.
Foi precisamente na consulta de psiquiatria e dor que se confrontou com limites terapêuticos.
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Publicado em: 02/03/2026