Nunca é demais conhecer as histórias que os cegos têm para partilhar. Todos têm percursos diferentes e sonhos por concretizar. Todavia têm em comum fazer parte. Não se sentirem excluídos e serem autónomos. Hoje vamos conhecer o percurso de Eduardo Ferreira. Tem 56 anos e uma memória de elefante. Lembra-se do peso da pedrada que, em criança, lhe atingiu o olho esquerdo. Lembra-se da década de silêncio que se seguiu, até a visão começar a esbater-se como um quadro a desbotar. E lembra-se, com uma clareza que dói, do dia em que um médico olhou para os seus olhos e proferiu a sentença: “Tem um problema num estado muito avançado. Andaram a empatá-lo e, agora, não sei se conseguirei fazer alguma coisa para reverter o tempo que perdeu”, contou. Seguiram-se três cirurgias sem sucesso. A sua batalha, porém, estava apenas a começar.
A pedrada que levou num dos olhos teve consequências graves. Algo que lhe alterou todos os planos que algum dia possa ter feito. Foram precisos 10 anos para começar a ter os primeiros sintomas, teria 16 anos na altura. Sentiu perda de visão e resolveu ir a um especialista perceber o que se estava a passar. Durante outra década, entre gotas e lentes cada vez mais ‘fortes’ só agravou a situação. Entretanto mudou de médico e foi-lhe diagnosticado glaucoma. Uma doença que não tem cura, mas que pode ser controlada se detectada precocemente. Certo é que há cerca de 20 anos perdeu totalmente a visão. “Foram anos muitos difíceis de superação, aceitação, controlo emocional… se não fosse a ajuda incondicional da minha mãe não sei se tinha aguentado a pressão”, desabafou. Mas mesmo isso não o impediu de tentar o suicídio duas vezes, de ficar internado em hospitais psiquiátricos e de uma depressão profunda.
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Publicado em: 26/09/2025