O Dia Mundial da Protecção Civil, assinalado no passado dia 1 de Março, ganhou este ano um significado particularmente profundo em Portugal. A data, promovida internacionalmente pela International Civil Defence Organization, recorda a importância da prevenção, da resposta organizada a emergências e da cultura de segurança. Mas, em 2026, a reflexão faz-se inevitavelmente à luz da calamidade provocada pelo recente mau tempo que assolou sobretudo a zona centro do País. Guimarães, apesar de alguns deslizamentos de terra, casas inundadas, estradas cortadas e algumas árvores caídas, pode dizer-se que perante o cenário, passou pelos pingos da chuva.
Um nível de destruição nunca visto
As chuvas intensas e persistentes, acompanhadas por ventos fortes e cheias rápidas, deixaram um rasto de destruição em vários concelhos da Região Centro. Estradas cortadas, pontes danificadas, terras agrícolas submersas, casas invadidas pela água e estabelecimentos comerciais destruídos foram algumas das imagens que marcaram as últimas semanas. Em muitas localidades, famílias inteiras perderam praticamente tudo o que tinham construído ao longo de uma vida.
A força da natureza fez-se sentir de forma abrupta. Linhas de água transbordaram, taludes cederam, infraestruturas críticas ficaram comprometidas. Houve desalojados, prejuízos avultados e, tragicamente, vítimas mortais. Para quem viveu o drama no terreno, o Dia Mundial da Protecção Civil deixou de ser apenas uma efeméride simbólica, tornou-se um lembrete real da vulnerabilidade humana perante fenómenos extremos cada vez mais frequentes.
Trabalho solidário e heróico
No terreno, os operacionais da protecção civil, bombeiros, forças de segurança, autarquias e voluntários mobilizaram-se desde a primeira hora. Trabalharam dia e noite na evacuação de populações, na criação de abrigos temporários, na limpeza de vias e na reposição de serviços essenciais. A coordenação entre entidades revelou-se determinante para minimizar danos e garantir apoio imediato às populações afectadas.
Mas, para além da resposta institucional, emergiu uma onda solidária que demonstrou o melhor do espírito comunitário português. Empresas, associações e cidadãos particulares uniram esforços para apoiar quem perdeu casa, negócio ou sustento. Entre essas iniciativas, não posso deixar de destacar o contributo do Grupo Santiago, que, juntamente com outros empresários, nomeadamente, Roady Auto, Construções S.Roquinho, Lugarinho,Tasca da Eira, Tozé Maleiro, Serralharia CNC, Intermarché de Urgezes, Roberto, Robina´s Bar, Raiz Carisma, Aguas URSU, UD Polvoreira e dezenas de particulares, disponibilizaram recursos logísticos e apoio material às populações afectadas. Fomos até Leiria, Ourém e outras localidades próximas e vimos de perto o sofrimento dos que perderam tudo, ou quase tudo. O nosso enviado especial, António Pereira, ficou atónito. “Já tínhamos visto as imagens através da televisão e redes sociais, mas estar no local tem outra dimensão e dá-nos uma perspectiva bem mais sombria”, declarou. “Ver o desespero das pessoas completamente devastadas tem um impacto emocional profundo e a minha impotência perante tal situação deixou-me consternado”, continuou. “Quando saímos de Guimarães em direcção a Leiria, achei que os bens que levávamos seriam uma ajuda consoladora, e percebemos que foi só uma gota no oceano, é desolador”, expressou.
Portugueses e estrangeiros solidários
Foram doados bens essenciais, materiais de construção, equipamentos e apoio financeiro para ajudar na reconstrução de habitações e na recuperação de pequenos negócios. Em várias localidades, a solidariedade traduziu-se também em mão-de-obra voluntária para limpar casas inundadas, remover entulho e reconstruir espaços comerciais. Num contexto de fragilidade extrema, estes gestos, a que não faltaram alguns estrangeiros, fizeram a diferença entre o desespero e a esperança, mas toda a ajuda é pouca. Em algumas localidades a população continua sem luz ou comunicações. “Quando lá cheguei e percebi que nem sequer dava para fazer um telefonema, consegui sentir um milésimo do desespero de precisar de pedir ajuda e nem isso conseguir fazer. Queria entrar em directo para a rádio para falar com os colegas que estavam em estúdio e tinha de fazer quilómetros para obter rede”, relatou.
A dimensão humana da tragédia vai muito além dos números. Cada casa destruída representa memórias perdidas. Cada negócio arruinado significa o esforço de anos comprometido em poucas horas. Cada vítima mortal deixa um vazio irreparável. É precisamente por isso que a protecção civil não se limita à resposta à emergência: envolve prevenção, planeamento, educação e, sobretudo, cultura de responsabilidade colectiva.
Atenção especial aos riscos futuros
O Dia Mundial da Protecção Civil é também um apelo à preparação. Dizem os estudiosos, que as alterações climáticas vão ser cada vez mais constantes, logo, aumentam a frequência e intensidade de fenómenos extremos, exigindo maior resiliência das comunidades. Investir em infraestruturas mais robustas, sistemas de alerta eficazes e formação da população torna-se imperativo. A protecção civil começa antes da tempestade… começa na consciência, na informação e na organização.
No 1 de Março, a homenagem dirigiu-se a todos os que estiveram na linha da frente, mas também a todos os que, longe dos holofotes, estenderam a mão. A resposta solidária do tecido empresarial e da sociedade civil mostrou que, perante a adversidade, a união é uma arma tão poderosa quanto qualquer recurso técnico.
Celebrar o Dia Mundial da Protecção Civil é reconhecer o trabalho incansável dos operacionais, lamentar as vidas perdidas e reafirmar um compromisso colectivo: o de construir comunidades mais preparadas, mais solidárias e mais resilientes. Porque, quando a calamidade atinge, é a capacidade de agir em conjunto que verdadeiramente protege.
Mais imagens desta acção solidária na BIGGERmagazine de Março, quarta-feira nas bancas!
Publicado em: 02/03/2026