No último artigo de opinião que tive oportunidade de escrever nesta coluna no final do passado mês de Julho, referi-me ao desenvolvimento económico como o grande desafio que se deveria colocar aos futuros governantes do nosso município.
Pela forte conexão existente entre demografia e desenvolvimento económico realcei que Guimarães, terra pioneira no desenvolvimento industrial e bem presente no panorama nacional aquando da chegada da revolução industrial a Portugal, se encontrava, em 1990, com dimensão populacional entre os seis maiores municípios do país, apenas ultrapassada por Lisboa, Loures e Sintra no Sul e pelo Porto e Vila Nova de Gaia no Norte tendo caído, desde então, do 6º. para o 13º lugar assim expressando a letargia em que a nossa economia tem vindo a cair ao longo dos tempos.
Realcei também que enquanto Braga subiu de 142.369 habitantes em 1990 para 203.519 em 2024, Guimarães caiu, no mesmo período, de 158.463 para 156.513.
Ainda agora, no ano 2024, enquanto Braga viu crescer 1% a sua população, Famalicão 0,5 %, e até mesmo a Póvoa de Lanhoso 1,4% e Vila Verde 1,1%, Guimarães caía 0,2 %.
Procurando analisar o rendimento económico das famílias foi possível verificar que no ano de 2022, o último com dados disponíveis, o rendimento mediano declarado deduzido de IRS por sujeito passivo tinha como média nacional 10.679€ tendo Braga um valor superior de 11.053 €, não fazendo Guimarães parte dos 70 municípios com rendimentos acima da média nacional.
Confirma-se, pois, a demografia como verdadeiro termómetro da economia de uma região.
É certo que a demografia não é apenas influenciada pelo desenvolvimento económico, grande factor de atractividade da população, nomeadamente jovem, quando se trata de desenvolvimento com empregos qualificados.
A natalidade, a migração e a esperança de vida manifestam-se também factores importantes na determinação da demografia, mas estão eles mesmos também fortemente relacionados com o nível de desenvolvimento económico da região.
Na verdade, a natalidade está muito dependente do rendimento económico das famílias, dos apoios sociais – creches, legislação da laboral, etc. – tudo, de certo modo, factores relacionados com o desenvolvimento económico.
A migração, tratando-se de imigração, refere-se à atracção de pessoas, questão relacionada, essencialmente, com a existência de bons empregos; falando-se de emigração, falamos de fuga de pessoas em busca de melhores condições de vida noutras terras, questão claramente relacionada também com o desenvolvimento económico.
Até mesmo a esperança de vida não deixa de estar relacionada com o desenvolvimento económico já que, para haver serviços de saúde dignos e eficientes torna-se indispensável haver as tais condições económicas.
Outros factores contribuem também para um sadio crescimento e rejuvenescimento demográfico de uma comunidade, como a existência de boas escolas, de bons equipamentos de desporto e lazer, boa qualidade de transportes e boa qualidade do ambiente. Mas também estes fatores estão, como é fácil reconhecer, completamente relacionados com a existência de desenvolvimento económico.
Outro fator fundamental e decisivo é o respeitante ao parque habitacional existente. Na verdade, sendo certo haver no momento actual algum desequilíbrio entre a oferta e a procura, agravando consequentemente os preços das habitações, seja no respeitante à aquisição, seja no respeitante ao arrendamento, também tal situação se encontra relacionada com o desenvolvimento económico que, fruto da parca existência ou até mesmo inexistência de empregos qualificados não confere condições económicas à generalidade das pessoas e famílias, de modo a conseguirem aceder a uma habitação condigna susceptível de permitir, sobretudo às camadas jovens, deixarem a casa dos pais e concretizarem a realização dos seus sonhos e projectos de futuro assim contribuindo para a construção de uma sociedade sólida.
A este propósito, merece referência o facto de no passado ano de 2024 terem sido concluídas 669 habitações familiares em Braga, 322 em Guimarães, 317 em Famalicão, e 171 em Fafe e de 25.311 no total do país.
A importância da captação de novas empresas, sobretudo as tais de forte valor acrescentado, capazes de pagar bons salários, objecto de projecto fracassado em Guimarães aquando da criação da Divisão de Desenvolvimento Económico (DDE) em Dezembro de 2018, deveria antes seguir um caminho semelhante ao adoptado por Braga ao criar agência InvestBraga, com o objetivo de promover o desenvolvimento económico, a inovação e atracção de capital nacional e estrangeiro articulando múltiplas frentes, desde infraestrutura física à aceleração de startups, a incentivos económicos e facilitação burocrática fortalecendo o ecossistema empresarial, atraindo capital e promovendo a internacionalização da sua terra.
Poder-se-á, pois, afirmar que o desenvolvimento económico da nossa amada Terra deverá constituir o principal ponto dos programas dos nossos futuros governantes.
P.S.: Guimarães ficou mais pobre. Partiu há dias para a eternidade o amigo Dr. Luís da Cunha Teixeira e Melo, ilustre advogado vimaranense que muito amou a sua terra que serviu com carinho e dedicação através das inúmeras instituições por onde passou e onde deixou bem presente a sua marca.
Guimarães, 1 de Setembro de 2025
António Monteiro de Castro
Publicado em: 02/09/2025