Em Arões, houve vaca… e houve magia. O Restaurante Porinhos voltou a encher-se de aromas, copos erguidos e conversas felizes para mais uma edição dos eventos gastronómicos assinados pelo Chef Diogo Novais Pereira. Desta vez, o mote foi «Jantar Boa Rês – Raças Autóctones», uma ode à carne nacional, ao aproveitamento integral do animal e, acima de tudo, à criatividade sem limites.
Para tornar a noite ainda mais especial, Diogo Novais Pereira trouxe para a cozinha um convidado de luxo: o Chef Alexandre Silva, um dos nomes mais irreverentes, criativos e consistentes da gastronomia portuguesa contemporânea, conhecido pelos restaurantes Loco e Fogo. E bastaram poucos minutos da apresentação inicial para perceber que aquela não era apenas mais uma colaboração entre chefs, era quase um encontro de velhos cúmplices da boa mesa.
Entre sorrisos, cumplicidade e entusiasmo genuíno, ambos falaram do prazer de cozinhar produtos autênticos e da filosofia de “trabalhar o animal da cabeça até ao rabo”. Uma expressão que, dita assim, podia assustar os mais sensíveis… mas que naquela noite se traduziu apenas em pratos memoráveis, sem desperdício e com inteligência culinária.
E que desfile foi aquele.
As entradas chegaram à mesa em ritmo de festa minhota sofisticada: língua de vaca fumada com batata palha e molho acidulado; tártaro de vaca e tutano; folhado de rabo de boi e mão de vaca; costela mindinha em pão tostado; e mão de vaca com grão e ervilhas de quebrar. Se alguém entrou desconfiado em relação à mão de vaca, saiu convertido, talvez até evangelizado.
Depois veio um arroz de forno com bochecha de vaca estufada capaz de provocar silêncio na sala, fenómeno raro em jantares portugueses, normalmente mais barulhentos do que uma feira semanal. Seguiu-se uma costeleta de vaca com legumes grelhados, num equilíbrio perfeito entre rusticidade e elegância.
A sobremesa fechou a noite com conforto e gula: pão de ló com gelado de pudim Abade de Priscos. Basicamente, a prova de que a felicidade pode mesmo servir-se à colher.
A acompanhar a refeição estiveram os vinhos Marquês d’Almeida Branco 2023, Marquês d’Almeida Reserva Tinto e Vinha de Urze Reserva Tinto 2023, da casa CAR. O representante da marca, João Paulo Roboredo, explicou cada vinho com simpatia e conhecimento, acompanhado por António Aguiar Branco, consultor de hotelaria, contribuindo para um ambiente descontraído, pedagógico e muito bem-disposto.
No final, a sensação era unânime: esteve tudo excelente. Boa comida, grandes vinhos, casa cheia, gargalhadas sinceras e aquela rara sensação de que se participou em algo especial, não apenas um jantar, mas uma celebração da cozinha portuguesa feita com respeito, técnica e alma.
E como qualquer boa história gastronómica merece continuação, ficou já a promessa de novo evento em junho. Para já, o tema continua ‘no segredo dos Deuses’. Mas depois desta noite em Arões, há pelo menos uma certeza: os deuses comem muito bem.
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Publicado em: 28/05/2026