O espetáculo «Baião d’Oxigénio» chega ao Centro Cultural Vila Flor nos dias 17 e 18 de julho e marca um momento especial para João Baião, que pisa pela primeira vez o grande auditório desta sala vimaranense com um dos projetos mais bem-sucedidos da sua carreira recente. Apesar de já ter passado por Guimarães noutras ocasiões, o artista sublinha que esta estreia tem um significado particular: “Estou muito contente por estrear esta sala com o ‘Baião d’Oxigénio’, que é um espetáculo que tem tido um impacto gigante junto do público e que, para nós, está a ser uma grande festa e um orgulho enorme.”
Depois de uma digressão marcada por salas esgotadas um pouco por todo o país, o espetáculo chega agora a um novo palco, reforçando um percurso que tem vindo a bater recordes. “Neste espetáculo, em termos das nossas produções, vamos bater o recorde de número de espetáculos e também de salas onde não tínhamos estado antes”, revelou, destacando a importância de levar o projeto a novos públicos e espaços.
Para além do local, o foco está na experiência proporcionada a quem assiste. “O que é essencial é que as pessoas vão ao teatro, se divirtam e tenham emoções. Que aquelas duas horas sejam um spa para a alma”, afirmou. Entre momentos de humor, música e dança, o espetáculo promete uma viagem emocional completa: “Dá para cantar, dá para dançar, dá até para chorar de emoção e matar algumas saudades no campo da nostalgia.”
Um dos elementos diferenciadores de “Baião d’Oxigénio” é o conceito que o sustenta: um espetáculo que revela os bastidores da própria criação artística. A ideia, como explicou João Baião, surgiu da vontade de dar continuidade narrativa ao que acontece em palco. “Eu gosto de dar uma linha contínua às coisas, que não sejam momentos soltos. E pensei: porque não partilhar com o público a construção de um espetáculo? Como se as minhas ideias saíssem cá para fora e as pessoas fossem cúmplices dessa criação.”
Essa proximidade reflete-se também na reação do público, que o artista acompanha de perto. “No fim dos espetáculos gosto de ficar cá fora, de falar com as pessoas, e aquilo que me dizem é que esta é, de longe, a melhor produção que fizemos.” Um reconhecimento que atribui à ambição do projeto: “Ousamos um bocadinho mais em termos de produção e isso depois reflete-se. O público fica surpreendido e quando surpreendemos, é porque estamos a fazer um bom trabalho.”
Num mundo cada vez mais acelerado, o ator acredita que o papel do entretenimento é essencial. “O humor e a arte são uma terapia. Se não fossem, o que teria sido de nós na pandemia?”, questionou, defendendo a importância de parar e respirar através da cultura. “É uma forma de recarregar baterias, de olhar para o mundo e de abrir a mente.”
Em palco, o artista não está sozinho. Divide a cena com Cristina Oliveira, oito bailarinos e dois cantores, numa equipa que descreve como “jovem, coesa e extremamente motivada”. E é dessa energia coletiva que nasce o ‘oxigénio’ que dá nome ao espetáculo. Um conceito que o próprio admite ser difícil de explicar: “Sei que tenho muita energia, mas não sei de onde vem. Talvez de ser feliz no que faço, de sentir o carinho do público e de fazer tudo com paixão.”
No final deixa um convite e lanço o repto. “Quero muito que aconteça em Guimarães, no berço da nossa nacionalidade, o que tem acontecido no país inteiro, uma sala cheia de pessoas bem-dispostas e com vontade de se divertir.” Porque, no final, é isso que move o espetáculo: criar momentos de leveza, emoção e partilha, capazes de fazer esquecer, ainda que por duas horas, a rotina frenética do dia a dia.
{gallery}BIGGER/2026/baiao{/gallery}
Publicado em: 24/04/2026