O cancro do pulmão mantém-se como uma das principais causas de morte por doença oncológica em Portugal, com mais de 4 mil óbitos anuais. Raquel Pereira, pneumologista do Hospital da Luz Guimarães, com subespecialidade em Cancro do Pulmão, assegurou que o rastreio pode fazer a diferença. “Esta é uma doença particularmente agressiva, com uma taxa de sobrevivência aos cinco anos de apenas 20% quando diagnosticada em fases avançadas. No entanto, quando detectada precocemente, as chances de cura podem chegar aos 90%”.
O Hospital da Luz Guimarães destaca-se pela implementação de um programa inovador de rastreio de cancro do pulmão através de TAC torácica de baixa dose. “Este exame revolucionário utiliza apenas 25% da radiação de uma TAC convencional, sendo capaz de detectar nódulos milimétricos que passariam despercebidos em exames convencionais”, explicou. Estudos internacionais comprovam que este método pode reduzir a mortalidade em 20 a 25% na população de risco.
O programa destina-se especialmente a adultos entre 50 e 75 anos com histórico tabágico significativo. “Recomendamos o rastreio para fumadores que tenham consumido o equivalente a um maço por dia durante pelo menos 20 anos ou ex-fumadores há menos de 15 anos”, esclareceu a especialista. A equipa multidisciplinar do hospital, que inclui Pneumologia, Radiologia, Oncologia, Radioterapia e Cirurgia Torácica, realiza reuniões semanais para análise detalhada de cada caso.
Raquel Pereira enfatizou a importância de estar atento aos sintomas: “Tosse persistente, expectoração com sangue, falta de ar ou perda de peso inexplicável devem sempre motivar uma avaliação médica”. No entanto, alerta que “o cancro pulmonar em fase inicial é frequentemente assintomático, daí a importância do rastreio preventivo”.
Além do diagnóstico, o hospital oferece um Programa de Cessação Tabágica. “Como cerca de 85% dos casos estão relacionados com o tabagismo, deixar de fumar continua a ser a medida mais eficaz de prevenção”, afirmou a pneumologista. O programa integrado do Hospital da Luz Guimarães combina tecnologia de ponta com abordagem humana, representando uma esperança concreta na luta contra esta doença.
“O nosso objectivo é claro. Diagnosticar precocemente para oferecer tratamentos mais eficazes e, assim, salvar vidas. Se pertence ao grupo de risco, não adie o rastreio. Pode fazer toda a diferença”, garantiu.
Em Portugal, o rastreio do cancro do pulmão ainda não foi implementado a nível nacional. No entanto, existem projetos-piloto em desenvolvimento, e há uma pressão crescente por parte das sociedades médicas para a criação de um programa de rastreio nacional . A meta europeia é que o programa de novos rastreios esteja em ação até ao final deste ano. “O cancro do pulmão pode ser classificado em dois tipos principais: o carcinoma de células não pequenas (CCNP), que representa cerca de 85% dos casos, e o carcinoma de pequenas células (CPC), que é mais agressivo e representa cerca de 15% dos casos. O tratamento e o prognóstico variam consoante o tipo e o estádio da doença”.
A detecção precoce permite tratamentos curativos e aumenta significativamente a taxa de sobrevivência.
Raquel Pereira
Pneumologista no H. Luz Guimarães
Sub-especialidade em Cancro do Pulmão
Ordem dos Médicos nº 56299
Publicado em: 29/05/2025