Há 111 anos a acolher e a transformar vidas, o Centro Juvenil S. José (CJSJ) continua a afirmar-se como uma resposta essencial na área social. Fomos falar com o presidente da instituição, Fernando Sousa, para perceber os desafios actuais, os projectos em curso e o papel da comunidade na sustentabilidade desta casa.
“O nosso propósito mantém-se como casa de acolhimento. Trabalhamos para dar a estes jovens um projecto de vida e devolvê-los à comunidade”, explicou o responsável. Actualmente, a instituição acolhe 15 jovens em risco psicossocial e acompanha cerca de 80 famílias através do CAFAP (Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental).
O CAFAP assume um papel fundamental no apoio às famílias, nomeadamente em situações de conflito parental. “Temos respostas como o ponto de encontro familiar, em que fazemos a mediação entre progenitores que não conseguem, por si só, gerir a entrega dos filhos”, referiu. A par disso, a instituição desenvolve também trabalho de preservação familiar, ajudando agregados desestruturados a recuperar equilíbrio e estabilidade.
Para além destas valências, o Centro Juvenil S. José conta ainda com a Creche Rosas Amorim Vieira, em Jugueiros, no concelho de Felgueiras, que acolhe 42 crianças, instalada num espaço doado pela família Amorim Vieira, com a condição de ali ser criada uma resposta social.
A instituição dispõe também de uma resposta social económica: um hostel (alojamento local) que neste momento está a ser utilizado maioritariamente pelos alunos da CENATEX.
1% do seu IRS para o CJSJ
A sustentabilidade da instituição depende das comparticipações da Segurança Social,
de apoios pontuais do Município e, em grande medida, do contributo da comunidade. “A consignação de 1% do IRS é um gesto simples, sem qualquer custo para o contribuinte, mas que faz uma grande diferença para nós”, sublinhou Fernando Sousa, presidente da IPSS, destacando também a importância dos donativos ao longo do ano. “Felizmente esta instituição é muito acarinhada e contamos com a generosidade de muitas empresas e particulares que nos fazem donativos ao longo do ano”, frisou.
Instalada num edifício histórico, o antigo convento das Capuchinhas, a instituição enfrenta desafios constantes de manutenção. “É uma casa muito antiga e com necessidades permanentes. Neste momento, o telhado precisa de uma intervenção profunda”, revelou, apontando para problemas de infiltrações.
Resposta social na área da saúde mental
Apesar dessas dificuldades, está em preparação um projecto de requalificação do espaço, com vista à criação de uma nova resposta social na área da saúde mental. “Foi-nos identificada essa necessidade e estamos a trabalhar para dar essa resposta à comunidade”, adiantou Fernando Sousa, referindo que o projecto de arquitectura já se encontra adjudicado.
Paralelamente às valências instaladas na instituição está em curso o projecto «LUDERE», uma intervenção com intencionalidade terapêutica dirigida a crianças e jovens dos 6 aos 14 anos com sinais de dependência digital, referenciadas pelas Instituições que integram a Rede Social dos Municípios. Têm uma abordagem integrada que combina acompanhamento psicoeducativo, actividades lúdicas e envolvimento familiar e promove o desenvolvimento de competências emocionais, sociais e comportamentais, incentivando uma relação mais saudável com o digital e uma maior ligação ao mundo real.
“Queremos ajudar a corrigir a dependência do uso excessivo de dispositivos eletrónicos, uma realidade cada vez mais presente”, explicou. A iniciativa, apoiada pelo programa regional Norte 2030, pretende abranger cerca de 150 crianças e jovens até 2027. “A iniciativa tem tido um feedback muito positivo por parte dos pares municipais e dos próprios pais”, expressou.
Com mais de um século de existência, a instituição continua a marcar a comunidade. “Muitos dos jovens que por aqui passaram gostam de visitar a instituição, o que mostra o impacto do nosso trabalho”, destaca.
Numa altura em que decorre o período de entrega do IRS, o apelo da instituição ganha particular relevância. “Pedimos à comunidade que continue a apoiar-nos. Consignar 1% do IRS é uma forma simples de ajudar a manter este trabalho”, sublinhou Fernando Sousa.
Um gesto simples que ajuda a manter viva uma instituição que, há mais de um século, trabalha diariamente em prol da comunidade.
Publicado em: 22/04/2026