O restaurante Porinhos foi palco de mais um evento do Chef Diogo Novais Pereira que convidou o Chef Rui Filipe, estrela Michelin e vencedor dos 02 maiores prêmios do Guia Repsol 2026, para confeccionar Barria de Peixe.
Na noite da passada quarta-feira, o Restaurante Porinhos, em Arões, Fafe, voltou a afirmar-se como um dos palcos mais vibrantes da gastronomia minhota contemporânea. Sob a batuta do chef Diogo Novais Pereira, vencedor da 35.ª edição do concurso Chef do Ano, a casa recebeu um convidado de peso — o chef Rui Filipe, distinguido com estrela Michelin e recentemente laureado com os dois maiores prêmios do Guia Repsol 2026 — para um jantar dedicado ao melhor peixe da nossa costa.
Mais do que um simples evento, tratou-se de uma celebração da identidade atlântica, onde técnica e memória caminharam lado a lado. Diogo Novais Pereira abriu a noite com palavras de gratidão, sublinhando a afinidade culinária com o convidado e a matriz do menu: produto nacional, frescura absoluta e respeito pela origem. Rui Filipe, por sua vez, retribuiu com emoção, evocando o Minho como território de pertença e inspiração.
E foi o mar que se revelou, prato após prato, num alinhamento que dificilmente deixaria alguém indiferente. O arranque fez-se com delicadeza e precisão: bolinhos de batata com caviar e uma inesperada e brilhante manteiga de enguia fumada, servida com pão de excelência. A acompanhar, um espumante Génese Brut Nature, de base Alvarinho, trouxe frescura e elegância ao conjunto.
Seguiu-se um momento de criatividade mais ousada, com cavala em escabeche de mexilhão e corvina com jalapenho, onde o equilíbrio entre acidez, gordura e picante foi exemplar. A sardinha com bola de enchidos, apresentada numa recriação dos bolo com sardinhas e de alheira outro enchido, revelou-se um dos pratos mais identitários da noite. Um exercício de memória reinventada com assinatura contemporânea, acompanhado neste momento por um monocasta loureiro de Melgaço de 2024 do produtor Anselmo Mendes, o Muros de Melgaço, o mais clássico dos Alvarinhos, com alguma salinidade, pela proximidade atlântica.
A progressão do menu manteve o nível elevado: amêijoa à Bulhão Pato, uma sopa de peixe e lavagante reconfortante e profundamente saborosa, e um arroz de robalo com ovas que se destacou como um dos pontos altos: cremoso, intenso e absolutamente envolvente. Os vinhos, criteriosamente escolhidos, acompanharam com inteligência, destacando-se referências de Alvarinho e Loureiro que reforçaram a ligação ao território. Exemplo disso é o Pequenos Rebentos Alvarinho do produtor Márcio Lopes, um vinho quase cremoso, aroma intenso e bem equilibrado na boca.
Na sobremesa, a emoção tomou conta da mesa. A tarte de limão merengada e o bolo de bolacha trouxeram consigo uma dimensão afetiva rara, transportando os comensais para sabores de infância, sem nunca abdicar da sofisticação técnica. O vinho Guri, leve, meio doce e descomplicado, encerrou a experiência com frescura e leveza.
Num espaço recentemente renovado, o Restaurante Porinhos confirma-se como um refúgio acolhedor onde tradição e criatividade convivem sem ruído. A cozinha de Diogo Novais Pereira permanece fiel às raízes, mas não teme evoluir e é precisamente nesse equilíbrio que reside a sua força, o que lhe valeu recentemente a renovação da recomendação Boa Cama Boa Mesa e um prémio Guia Repsol 2026.
No final, ficou a sensação de ter participado em algo mais do que um jantar: uma verdadeira narrativa gastronómica, onde o mar foi protagonista e o Minho, cenário e alma. E, ao que tudo indica, a história ainda não terminou, há muito mais para sentir e já se fala no próximo capítulo.
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Publicado em: 23/04/2026