A memória é, muitas vezes, uma forma de resistência ao tempo. Há quem a guarde em silêncio, outros sentem a necessidade de a partilhar, de a transformar em palavras para que não se perca. É nesse território entre recordação e testemunho que se move Bernardino Pina, vimaranense de origem, homem de histórias vividas e de uma memória que parece atravessar décadas com uma clareza rara.
Nascido e criado na Rua de Santo António, mesmo no coração de Guimarães, Bernardino Pina guarda na memória a Cidade de outros tempos. “Eu cresci no centro da cidade, numa Guimarães muito diferente da de hoje”, recordou. Frequentou a Escola de Santa Luzia, e de há uns anos a esta parte decidiu criar um convívio entre os colegas que consigo viveram o primeiro contacto com o ensino. “Organizo um encontro anual com os antigos colegas da turma. Já o faço há 17 anos. No primeiro almoço éramos 30, agora somos menos, porque a vida também vai fazendo o seu caminho”, lamentou, com a serenidade de quem reconhece o peso do tempo, mas valoriza o que permanece.
Foi também nesses primeiros anos que nasceu uma paixão que nunca mais o abandonou: o Vitória Sport Clube. A ligação ao Clube começou cedo, influenciada em parte pelo pai, Domingos Pina, que chegou a vestir a camisola do Vitória nos primeiros tempos do Clube. Mas a paixão foi crescendo por si própria, alimentada pelas tardes passadas no antigo Campo da Amorosa. “Saía da escola e ia ver os treinos. Aquilo era uma emoção enorme para mim”, lembrou com saudade.
Uma vida cheia de histórias para contar na BIGGERmagazine de Abril.
Publicado em: 30/03/2026