Belmiro Pinto dos Santos, antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Vitória e candidato à presidência do clube no último ato eleitoral, defende que a Assembleia Geral Extraordinária marcada para o próximo dia 30 de Outubro de 2026 “é irregular, com objecto simulado e facilitadora de actos fraudulentos.” Em declarações ao Grupo Santiago, explicou a sua intervenção pública.
O que o motivou a tomar esta posição pública sobre o agendamento das Assembleias Gerais do Vitória?: “O conteúdo da comunicação traduz muito aquilo que é a gravidade da situação. Há desde logo uma irregularidade nos timings da realização das assembleias, uma delas completamente fora daquilo que são as regras estatutárias. A mais preocupante é aquela que é designada como extraordinária e que está intimamente relacionada com a transmissão das ações à V Sports, mas mais preocupante ainda a alteração, ou a eventual alteração dos estatutos da Vitória SAD. Há aqui razões de muita preocupação.”
No comunicado, afirma que a Assembleia Geral Extraordinária marcada para o próximo dia 30 de Outubro de 2026 “é irregular, com objecto simulado e facilitadora de actos fraudulentos.”…: “As três qualificações estão intimamente relacionadas. É irregular porque na convocatória ou em documentos anexos ou informação anexa, não está o valor da transmissão das ações. Há aqui uma falha em termos de informação à massa executiva e portanto não há informação para que as pessoas que vão à Assembleia e votar este ponto de ordem de trabalhos percebam se estamos a falar de uma transmissão onerosa, e se é onerosa em que valor, ou se estamos a falar de uma transmissão gratuita. Mas depois há aqui uma simulação, porquê? Porque há aqui aparentemente a intenção de uma mera transmissão de 17% das ações, mas na realidade o que se pretende, e portanto este é que é o negócio oculto, é transmitir ou poder transmitir completamente o poder a V Sports através da alteração dos Estatutos. Havendo a transmissão dos 17% e a V Sports ficando com 46%, o poder está todo nos Estatutos. Portanto, havendo uma alteração à posteriori dos Estatutos e essa alteração nem sendo do conhecimento da massa associativa, pode haver uma transmissão completa de poder a V Sports, completamente à parte e à margem daquilo que é a informação à massa executiva do Vitória. Quem for a esta Assembleia irá votar em coisas que desconhece por completo. Portanto, isto aqui é um logro, não é? As pessoas não têm qualquer tipo de informação e estão sujeitas a votar num sentido quando poderiam querer votar num sentido completamente diferente. Em 2023, eu digo isso no comunicado, numa situação análoga, exatamente relacionada com o mesmo objeto, na convocatória continha quer os artigos que seriam alterados e num documento anexo que fazia parte integrante dessa convocatória existia o texto dos Estatutos em vigor e a totalidade do texto que se pretendia ver alterada. Neste momento, com esta convocatória e com esta ordem de trabalhos, as pessoas vão votar em coisas que desconhecem por completo e podem eventualmente ter aqui uma transmissão completa de poder para a V Sports sem que a massa associativa o queira ou pelo menos o saiba. Aliás, foi isso que a V Sports sempre quis. Sempre quis em 2023 e não conseguiu. Pode eventualmente conseguir agora e ainda por cima sem o conhecimento da massa associativa do Vitória.”
E foi por isso que decidiu fazer esta intervenção?: “Tenho a minha opinião, mas não a vou transmitir à massa associativa. Eu não quero criar tendência de voto. O único apelo que eu faço aqui é à Direção, mas principalmente à Mesa da Assembleia Geral, que altere esta situação e que coloque na ordem de trabalhos informação suficiente para que os sócios votem em liberdade e votem devidamente informados, que saibam pelo menos aquilo que vai acontecer no futuro. Porque ao votar nestes termos não sabem aquilo que vai acontecer no futuro. E tendo em consideração aquilo que é a atual situação do Vitória, principalmente a financeira, está bom de ver que isto vai acabar muito mal. Se eventualmente a massa associativa votar num determinado sentido, abre-se aqui a porta para poder eventualmente haver aqui uma transmissão na totalidade do poder para a V Sports e aquele Vitória que conhecemos até hoje deixa de existir. Vou só dar um mero exemplo daquilo que pode ser alterado e que altera completamente o paradigma de poder que existe neste momento. Existe uma norma nos Estatutos da SAD, que diz mais ou menos isto. É o Vitória que nomeia e que destitui o Presidente do Conselho de Administração. Se esta norma é alterada, então pode ser alterada porque aqui não menciona nada e permite alterar tudo, a partir desse momento nunca mais o Vitória tem poder sobre a SAD. Nunca mais. Nunca mais por uma razão muito simples. Porque qualquer alteração à posteriori necessita sempre dos 75% dos votos. E o Vitória nunca mais vai ter os 75%. Porque conforme está no ponto 1, o Vitória transmite 17% e, portanto, a V Sports fica com 46%. Isto é um mero exemplo, mas este exemplo transporta-se para todos os outros artigos dos estatutos da Vitória SAD. E, portanto, é uma situação preocupante. Fui um bocado comedido no comunicado, está aqui em causa, eventualmente, uma golpada de dimensões faraónicas em prejuízo do Vitória.”
Publicado em: 14/10/2026