A Escola Básica 2,3 de Pevidém dificilmente iniciará o próximo ano lectivo nas novas instalações, estando também em causa o cumprimento dos prazos associados ao financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O alerta foi deixado esta terça-feira pelo presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, durante uma visita às instalações provisórias onde a comunidade escolar está actualmente instalada.
A escola funciona, de forma temporária, no recinto da feira semanal de Pevidém, em contentores adaptados, enquanto decorrem as obras de requalificação do edifício principal. A visita teve como objectivo verificar as condições entretanto melhoradas no espaço provisório, na sequência de compromissos assumidos pelo município com a comunidade educativa.
Ricardo Araújo destacou o cumprimento dessas intervenções num curto espaço de tempo. “Passados quatro meses, vimos aqui para verificar se os compromissos foram cumpridos. E a verdade é que foram”, afirmou, sublinhando o trabalho conjunto de técnicos municipais, direcção da escola, associação de pais e junta de freguesia.
Entre as melhorias realizadas estão a instalação de uma cobertura para protecção contra a chuva, o reforço da internet e das comunicações, a requalificação dos espaços exteriores e a criação de condições de segurança para utilização do polidesportivo. Ainda assim, o Autarca reconheceu que se trata de uma solução “provisória” e longe do “ideal”.
Com a aproximação dos meses mais quentes, novos desafios foram já identificados. “Foram encontradas soluções para o inverno, mas agora surgem outras dificuldades com o calor. Vamos continuar a trabalhar em conjunto para melhorar as condições”, garantiu.
O principal ponto de preocupação prende-se, contudo, com o atraso na obra de requalificação da escola, financiada pelo PRR. Questionado sobre a possibilidade de conclusão até ao verão, o presidente foi claro: “Não estou em condições de garantir que a obra esteja concluída até agosto. Pelo contrário, é pouco provável.”
Perante este cenário, o arranque do próximo ano letivo nas novas instalações é também improvável. “Acho que tenho de dizer com toda a clareza: é muito pouco provável que consigamos iniciar o novo ano letivo na escola requalificada”, sublinhou.
O atraso levanta ainda dúvidas quanto à manutenção do financiamento europeu. Embora exista alguma margem para entrega de documentação até Agosto, o Autarca admite que o prazo já estará comprometido. “Ao dia de hoje, o prazo de término já está para lá de agosto”, disse.
Ricardo Araújo considera os atrasos nas obras do PRR como uma das maiores preocupações do município, alertando para o risco generalizado de incumprimento. “Guimarães tem uma exposição grande ao risco de não cumprir os prazos do PRR nas grandes obras”, reiterou.
O Município está a trabalhar com o Governo para encontrar soluções alternativas caso os prazos não sejam cumpridos, à semelhança do que já aconteceu no sector da habitação, onde projectos transitam para outros regimes de financiamento com penalizações.
No caso da educação e da saúde, áreas onde decorrem várias intervenções estruturantes no concelho, as consequências ainda estão por definir. “Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para cumprir os prazos, mas temos de estar preparados para diferentes cenários”, concluiu.
Publicado em: 17/03/2026