Skip to content
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de opinião
  • Imobiliária
  • Necrologia
  • Sobre nós
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de opinião
  • Imobiliária
  • Necrologia
  • Sobre nós
Assinatura
Login
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de Opinião
  • Necrologia
  • Imobiliária
  • Sobre nós
  • Assinatura
  • Perfil
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de Opinião
  • Necrologia
  • Imobiliária
  • Sobre nós
  • Assinatura
  • Perfil
Assinatura Digital
Login

Coisas que já não se usam, mas que deveriam usar-se

Publicidade

Há muito tempo que faço um esforço para que o meu passado seja, em mim, um museu e não propriamente uma discoteca.

Decatlon

Para que o meu passado seja algo que se visita, que se consulta para perspetivar o presente, e não propriamente um propósito de festiva saudade.

Tal voluntário e consciente esforço, leva-me, frequentemente, a abraçar a novidade com uma força exagerada. Pelo-me por uma música nova, por um realizador jovem, por uma novidade tecnológica que deu à costa no presente e que devo conhecer e dominar. Às vezes fico até tonto no
propósito pois o meu tempo de ócio é, hoje, extremamente limitado.

E o ócio é sem dúvida, pelo menos para mim, o mais criativo e libertador espaço de tempo. Vou ao museu do passado e tenho uma discotequeira saudade das alturas em que não sabia bem o que fazer. E quando não se sabe bem o que fazer é o ócio que nos guia e nos apresenta soluções
fantásticas, inesperadas, para o que fazer do tempo e, no fundo, o que fazer de nós mesmos.

No entanto o museu do passado é, em cada um de nós, sempre marcante. Por mais que o queiramos apenas informativo ou, até, contemplativo, ele acaba sempre por mexer connosco e despoletar o gatilho de sensações perdidas.

Tive isso há muito pouco tempo quando recebi uma carta de um jovem amigo. Sim, uma carta. O meu amigo é tão jovem que o envelope era (ainda) daqueles envelopes que se usavam para o correio que era enviado por avião. No tempo em que os gramas se convertiam, se nos descuidássemos, em escudos suplementares. A beleza do envelope foi, logo, estonteante. Já não via um envelope daqueles há décadas, com as bordas simetricamente atravessadas por pequenos traços oblíquos, alternadamente azuis e vermelhos. O aspeto do sobrescrito era, desde logo, um tratado de bom gosto. Ainda me detive alguns largos segundos a observá-lo. Na parte de dentro uma missiva simpática, exagerada, uma opinião sobre algo que escrevi e de que o meu amigo gostou.

Decifrar a caligrafia de alguém, hoje, parece um ato de profunda arqueologia. Mas essa tarefa, de tão inusual, chega a ser surpreendente. Quando lemos uma letra de tipografia ela não tem segredos, é aquilo. Quando lemos a letra escrita ela diz sempre mais qualquer coisa. Inclina-se, suaviza-se, altera-se e hesita, zanga-se como nós nos zangamos por vezes. As palavras não são apenas palavras, mas uma extensão viva de quem as escreve e de como as escreve. O meu jovem amigo, médico reformado, tem, afinal, uma letra de médico que não despacha, que acaricia, novamente, como quando, em criança, ia ao seu consultório médico.

Numa particular gaveta guardo a correspondência de anos, que resistiu a todas as decisões de arrumação. Cartas de amor, cartas de amigos, cartas de nós por cá todos bem, espero que por aí também. Ao revisitá-las sinto, sempre, a essência do tempo e a ternura que ele, por vezes, encerra.

No passado sábado, na Pastelaria Ribela, assisti a uma iniciativa cujos vestígios da sua existência são tão arqueológicos como as cartas escritas. O coletivo que pensou e organizou conversas sobre a cidade, o seu passado, e sobretudo o seu futuro, foi buscar ao baú do tempo uma ideia simples: convidar pessoas e pô-las a conversar sobre um tema específico. Trocar ideias. 

Na conversa estavam comerciantes vimaranenses que falaram sobre a cidade, sobre as suas perspetivas, desilusões, anseios. Que discordaram, que concordaram, que deram a sua perspetiva sobre um presente que se inebria com distinções, esquecendo que essência desses títulos vem da história de quem constrói a cidade e não de quem a normaliza e a torna igual a tantas outras. Estava a alma da cidade rebelando-se, por vezes, contra o corpo que se modifica e que a esquece, como se o corpo pudesse prevalecer sobre a alma. Estava lá quem constrói a cidade, quem resiste, pelo seu trabalho, em manter vivo o comércio que a singulariza.

Aprendi muito nessa hora. Aprendi, sobretudo, que me devo deixar de armar em moderninho e fazer a minha parte enquanto consumidor, ajudando a cidade a ser cidade e não uma girândola de lojas que se encontram em qualquer lado. Aprendi que há muito a fazer, e depressa, antes que tudo
isto seja uma lembrança e não a realidade.

Aprendi, sobretudo, que a conversa e a discussão fazem muito mais sentido, e tem sobretudo mais propósito e eficácia, do que o lixo ou a futilidade que nos ocupa os sentidos através das redes sociais.
E há que rapidamente valorizar aquilo que nos torna humanos, antes que o nosso grande amigo e confidente seja um robot IA do Elon Musk, made in China.

Publicado em: 03/02/2026

Guimarães Verde Bolama VitrusBus

Notícias Relacionadas

Guimarães e a inteligência artificial: pormos a tecnologia a trabalhar

Domingos Bragança, cidadão honorário de Guimarães

Já ninguém ouve ninguém

Footer Guimarães Digital

Contactos Rápidos

+351 253 421 700
geral@guimaraesdigital.com
Edifício Santiago, Rua Dr. José Sampaio n.º 264, 4810-275 Guimarães
Ficha Técnica Contactos Estatuto Editorial
Copyright © 2026 EPIC Júnior
AO VIVO
A TOCAR AGORA
Aguardando rádio...
Consentimento de cookies e política de privacidade

Para proporcionar a melhor experiência possível, utilizamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou aceder a informação do dispositivo. Ao consentir estas tecnologias, permite-nos processar dados como comportamento de navegação ou IDs exclusivos neste site. A recusa ou a revogação do consentimento pode afetar negativamente determinadas funcionalidades.

Funcional Always active
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para a finalidade legítima de permitir a utilização de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou para a finalidade exclusiva de realizar a transmissão de uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas.
Preferences
The technical storage or access is necessary for the legitimate purpose of storing preferences that are not requested by the subscriber or user.
Statistics
The technical storage or access that is used exclusively for statistical purposes. The technical storage or access that is used exclusively for anonymous statistical purposes. Without a subpoena, voluntary compliance on the part of your Internet Service Provider, or additional records from a third party, information stored or retrieved for this purpose alone cannot usually be used to identify you.
Marketing
The technical storage or access is required to create user profiles to send advertising, or to track the user on a website or across several websites for similar marketing purposes.
  • Manage options
  • Manage services
  • Manage {vendor_count} vendors
  • Read more about these purposes
View preferences
  • {title}
  • {title}
  • {title}