A olaria de Guimarães permanece viva graças a mãos que moldam mais do que barro, moldam memória. Catarina Pereira, 49 anos, natural de Guimarães, é uma das guardiãs desta identidade. Licenciada e pós-graduada em Património Cultural e Imaterial, reconhece que o seu caminho se definiu num instante. “Em 1995 entrei na Olaria da Cruz de Pedra e conheci o mestre Joaquim Oliveira. Pedi-lhe para me ensinar e ele não hesitou. Tirou o avental, pôs-mo a mim, e a partir daí nunca mais parei”, contou. A aprendizagem prolongou-se por anos, dividida entre a prática com Joaquim Oliveira e o estudo do desenho com Maria do Céu Freitas.
A Cantarinha dos Namorados, símbolo icónico de Guimarães, é hoje o centro do seu trabalho. Catarina explica que “Guimarães sempre teve um carinho especial pela cantarinha”, mas atribui ao mestre Joaquim o impulso decisivo. “Ele fez ver que podia ser mais do que um objecto decorativo, para passar a ser um objecto simbólico”, relembrou com carinho. Essa transformação consolidou-a como marca identitária da cidade. “Hoje ela representa o património cultural de Guimarães.” A tradição está tão enraizada que a Câmara Municipal oferece-a como presente institucional, e muitos vimaranenses continuam a procurá-la para oferecer a familiares e amigos.
Mas a força da peça não reside apenas no barro. Reside no imaginário que carrega. “É um símbolo do amor, da partilha, da amizade”, disse. “É um relicário das histórias de Guimarães.” A lenda associada à prenda de casamento entre namorados alimenta essa aura afectiva.
O crescente interesse pela tradição levou ao desenvolvimento de um curso de revitalização da olaria, uma parceria entre A Oficina, a Escola Secundária Francisco de Holanda, a Arts & Skills e a Castelform.
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Publicado em: 02/12/2025