Há decisões políticas que se tomam por cálculo, outras por lealdade partidária. Mas há também aquelas que nascem do reconhecimento
de um projeto com uma visão de futuro onde nos revemos. O meu apoio a Ricardo Costa como candidato à Câmara Municipal de Guimarães pertence a essa última categoria.
Defendo há anos uma visão estratégica para Guimarães alicerçada no triângulo cultura, educação e ciência, com a sustentabilidade ambiental como fundamento transversal. Já escrevi sobre este tema no primeiro artigo desta coluna e dediquei vários textos a aprofundar essa perspetiva. O que encontro no projeto “Afirmar Guimarães” não é uma mera lista de promessas eleitorais, mas a continuidade sólida e ambiciosa dessa visão, adaptada aos desafios que enfrentamos hoje.
Nas eleições autárquicas deste ano, Guimarães faz uma escolha que ultrapassa pessoas e partidos: que cidade queremos ser na próxima década? Queremos continuar a percorrer a senda que nos tornou referência nacional em inovação, cultura e sustentabilidade, ou optar pela incerteza de caminhos nunca testados?
O programa “Afirmar Guimarães” assenta em sete eixos estratégicos: inovação e talento, economia e desenvolvimento, vida urbana e mobilidade, bem-estar, governação democrática, integração regional e diplomacia de cidade. Mais do que os eixos isoladamente, é a consistência da visão que os integra que me convence.
Ricardo Costa propõe completar até 2029 a renovação do parque escolar do concelho, transformando Guimarães numa referência nacional na educação pública. Numa sociedade baseada no conhecimento, a qualidade da educação é o maior motor de igualdade de oportunidades.
A intenção de afirmar Guimarães como Cidade Universitária, com residências e apoios à habitação jovem, responde a um problema concreto: queremos que os jovens estudem e permaneçam em Guimarães, ou queremos uma cidade que forma para exportar?
A meta de construir mil casas a custos controlados não resolve totalmente a crise da habitação, mas demonstrar uma compreensão clara de que devemos agir no lado da oferta com determinação. Já escrevi sobre a habitação como “o desafio de uma geração” e Ricardo Costa enfrenta-o com realismo e responsabilidade.
Na área da mobilidade, manter a aposta nos transportes públicos e meios suaves é imperativo: não podemos recuar na revolução iniciada. As propostas para elevar Guimarães a Cidade Europeia Emergente Inovadora, criar parques industriais e espaços empresariais concretizam a visão de Guimarães como território de inovação que sempre defendi. Iniciativas como a Fábrica do Futuro ou o Guimarães Space Hub precisam de continuidade política para se firmarem como motores económicos transformadores.
Apoio Ricardo Costa porque reconheço, no seu projeto, a cidade que quero ajudar a edificar: uma Guimarães que não se acomoda no presente, que olha para o futuro com ambição, valoriza o conhecimento e a cultura como motores de desenvolvimento, e não deixa ninguém para trás.
Este apoio não é cego nem acrítico, mas fundado na convergência de visões sobre o território, na confiança nas competências demonstradas e na certeza de que o projeto socialista é o melhor caminho para afirmar a cidade que somos e queremos continuar a ser.
As eleições decidem-se nas urnas, mas são preparadas com ideias e argumentos. Estes são os meus.
Não posso deixar de concluir esta reflexão sem fazer referência a um apoio do outro tipo, formulado na abertura do artigo. Apoios dados por cálculo ou lealdade partidária. Assim parece ser, lamentavelmente, a postura do atual Governo na sua relação com Guimarães, partidarizando um laço que deveria ser institucional.
Num relato feito por “fonte do Ministério da Infraestruturas” da reunião tida com a Câmara de Guimarães esta semana, o Governo da República envolve-se diretamente na campanha eleitoral, olhando para o programa de Ricardo Costa e anunciando projetos que quer e não quer apoiar. Uma forma discreta e curiosa de reconhecer que já antevê quem será o próximo presidente da autarquia.
Felizmente, o comunicado oficial do Município dissipa dúvidas e coloca o interesse de Guimarães em primeiro lugar, fazendo o trabalho que tem de fazer, mas abrindo oportunidades para o futuro.
Guimarães merece mais do que campanhas políticas partidárias. Merece o respeito e o compromisso firme dos seus governantes, hoje e sempre.
Publicado em: 07/10/2025