Sendo embora hoje, 30 setembro, o dia do início oficial da campanha eleitoral para as próximas eleições autárquicas, ela tem-se vindo
a desenvolver ao longo do último ano, bem sentida pelas diversas intervenções políticas das diferentes forças partidárias, assim como pela presença de placares e outdoors em pontos estratégicos das cidades, vilas e freguesias, contribuindo, neste caso, não para estimular o desejado interesse dos cidadãos pela participação na vida política colectiva, mas sim, para o seu afastamento.
Antes, porém, de me alongar, e para o leitor que porventura não o saiba, cabe me proceder à declaração de interesses e informar que o autor do presente
artigo é, desde longa data, um democrata cristão militante do partido CDS/PP integrante da Coligação Juntos por Guimarães.
Com o aproximar das eleições autárquicas e sobre Guimarães, a nossa amada Terra, da qual temos todos imenso orgulho, seja pelo seu riquíssimo e glorioso
passado histórico ocorrido desde a fundação de Portugal – o estado-nação mais antigo da Europa com fronteiras estáveis a caminho do milénio – seja pela
forma como tem sabido conservar o seu património, testemunho vivo desse passado e de sua história, tenho vindo a referir-me, nos últimos meses, com a
preocupação que a muitos vimaranenses acorre, ao declínio de que tem sido vítima nas últimas décadas.
Tendo presente a forte correlação existente entre desenvolvimento económico e demografia, referi a acentuada estagnação das últimas quatro décadas
abordando, para esse efeito, a sentida queda da população de 158.463 em 1990 para 156.513 em 2024 quando comparada com Braga que viu subir, no
mesmo período, a sua população de 142.369 habitantes para 203.519.
Confirmando a correlação assinalada, apresentei o rendimento mediano declarado deduzido de IRS por sujeito passivo que é, a nível nacional, de
10.679€ tendo Braga um valor superior, de 11.053 €, não fazendo Guimarães parte dos 70 municípios com rendimentos acima da média nacional.
Urge, pois, inverter este ciclo de declínio, aproveitando o próximo acto eleitoralpara encontrar resposta, num projecto suficientemente ambicioso e inovador,
capaz de restituir a Guimarães o prestígio e o papel que que lhe couberam ao longo dos séculos na história do nosso país.
A propósito da força do poder local acaba de ser tornado público um estudo da fundação Francisco Manuel dos Santos designado por “Barómetro do Poder
Local” resultado de um inquérito levado a cabo no início de 2025, realçando a importância e o papel assumido pelos municípios e freguesias na
concretização de políticas públicas de proximidade e na construção da coesão territorial.
Decorre tal importância da proximidade física, simbólica e institucional aos cidadãos e da sua autonomia administrativa e financeira constituindo um
modelo de democracia descentralizada que tem vindo a assumir progressivamente um maior número de competências antes da
responsabilidade da administração central.
O mesmo estudo revela a influência que o poder local tem nos domínios do lazer, da mobilidade e do património e cultura, assim como aquele que deveria
ter nas áreas da saúde e da habitação.
Dá também a conhecer os atributos mais importantes de uma candidatura a Presidente da Câmara sendo o comportamento ético o mais importante,
seguido da orientação ideológica ficando para segundo e terceiro plano a experiência profissional e a filiação partidária.
Ainda ontem, em artigo no jornal Público, referiu o especialista em cidades,José Pedro Reis, o poder extraordinário que os autarcas possuem
ultrapassando largamente as competências formais que lhe cabem referindo a capacidade efetiva de produzir mudanças na comunidade, na economia local
ou na estrutura física das cidades.
Apresenta exemplos que demonstram como as autarquias podem “fazer mais com menos”, través de lideranças fortes, da mobilização de estratégias e da
utilização criativa de recursos disponíveis transcendendo competências formais, ausência de poder legislativo e limitações geográficas.
Neste período eleitoral torna-se, pois, fundamental avaliar os vários programas e candidatos considerando a sua propensão para inovar em vez de se resignar,
para construir pontes, para definir uma visão estratégica clara mobilizando aliados e usando todas as ferramentas ao seu dispor.
Estou certo de que os vimaranenses irão desta vez pôr fim a um período de declínio da nossa Terra, confiando os seus destinos à equipa proposta pela
Coligação Juntos por Guimarães, seja não só pelo programa que propõe, seja pela qualidade dos seus elementos, seja sobretudo pelo candidato a
presidente da Câmara, Ricardo Araújo, vimaranense com provas dadas nas diferentes instituições que serviu e com o perfil bem ajustado às características
exigidas no estudo apresentado.
Oxalá que desta vez, depois de passados quase quarenta anos, se confirme a ocorrência de alternância democrática, sintoma de uma democracia madura
chegada a Guimarães.
Guimarães, 30 de Setembro de 2025
António Monteiro de Castro
Publicado em: 06/10/2025