Em Portugal, milhares de pessoas dedicam a sua vida a cuidar de familiares dependentes sem qualquer reconhecimento ou apoio estruturado. São os chamados cuidadores informais. Pais, filhos, cônjuges que, de um dia para o outro, se vêem sobrecarregados com uma responsabilidade que não escolheram, mas que a vida lhes impôs. Sem formação específica, sem rede de segurança social e muitas vezes sem condições financeiras, enfrentam uma jornada solitária e desgastante, enquanto o sistema falha em responder às suas necessidades.
Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal está entre os países europeus com menos apoios públicos para cuidadores informais. Enquanto na Alemanha ou na Suécia existem subsídios, licenças remuneradas e centros de acolhimento temporário, em Portugal, quem cuida de um familiar dependente vive no limbo: não tem direito a descanso, a acompanhamento psicológico ou mesmo a uma compensação financeira que lhe permita reduzir horas de trabalho. O resultado? Burnout, pobreza e isolamento social.
E é neste cenário de abandono institucional que encontramos histórias como a de Sérgio Oliveira, um homem de 45 anos de Guimarães que se tornou, sem aviso, o cuidador da mãe com Alzheimer. A sua narrativa não é apenas um relato pessoal, é o espelho de uma realidade que muitos portugueses enfrentam todos os dias, sem que a sociedade lhes estenda a mão.
Sérgio nunca imaginou que, aos 45 anos, voltaria a partilhar casa com a sua mãe mas tudo mudou em Dezembro de 2023, quando o seu pai faleceu subitamente de uma paragem cardíaca. A mãe, então com 74 anos, já dava sinais de esquecimento e confusão mental, mas a situação agravou-se quando ficou sozinha.
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Publicado em: 31/07/2025