As pessoas por vezes são bastantes cruéis e as crianças também conseguem sê-lo. A educação para um mundo inclusivo está na ordem do dia, mas há muita gente que ainda não aceita a diferença. Marcela Machado, desde muito cedo, percebeu que o mundo que via não era exactamente o mesmo que os outros viam. “Desde os três anos que via cores à volta das pessoas, aquilo que conhecemos por aura em contexto espiritual, coisas que os outros não viam”, recordou. Aquilo que para muitos seria apenas imaginação infantil, para Marcela era a sua realidade. Uma realidade que acabou por trazer-lhe alguns dissabores, porque o ‘mundo’ nem sempre sabe ou consegue lidar com a diferença. E para uma criança que sente mais do que aquilo que se pode explicar, crescer pode ser uma viagem solitária. Na escola primária sofreu o primeiro choque. Certo dia, olhou para a professora Antonieta e disse-lhe que, naquele dia, ‘ela estava escura’, em tons de castanho, mas a professora estava vestida de azul. As outras crianças, ao perceberem o espanto da professora com a observação, soltaram imensas gargalhadas. “Lembro-me de corar dos pés à cabeça e de ter ficado muito envergonhada”, lembrou. Para ela aquilo era algo natural, pois conseguia ver a ‘aura’ das pessoas com frequência. A professora chamou os pais à escola para lhes contar o sucedido e, naturalmente, a progenitora não revelou surpresa, mas mostrou-se preocupada. A partir daí, a menina começou a esconder-se, a calar-se, a tentar ser como os outros… Mas a verdade é que não era.
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Publicado em: 26/06/2025