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As Trevas e a Luz

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Hoje, dia 24 de Junho, dia em que se celebra um pouco por todo o país e em muitos locais do mundo o dia de S. João Baptista, o último profeta,

Decatlon

“o maior de entre os nascidos de mulher”, segundo Jesus Cristo (Mt. 11-11), é também o dia em que se assinala a batalha de S. Mamede ocorrida na nossa Terra no ano de 1128 e que constituiu “o primeiro episódio da história portuguesa: o começo do Reino de Portugal”.

Ambos os acontecimentos vieram anunciar o fim de um período de trevas: S. João anunciando a vinda do Messias, Jesus Cristo, a verdadeira Luz do Mundo; a batalha de S. Mamede, o fim da influência tutelar dos nobres galegos sobre a condessa D. Teresa, influência opressora e castradora dos ambiciosos anseios da nobreza do condado.

Ao longo da história dos povos e das nações, foram sendo conhecidos períodos de trevas, mais longos uns do que outros, tendo sempre na sua raiz a ambição desmedida dos mais fortes sobre os mais fracos, ambição essa no campo dos valores materiais, religiosos ou intelectuais.

Vivemos, nos tempos de hoje, sob a ameaça de um novo período de trevas. Na verdade, o mundo ocidental que, depois de séculos de lutas sangrentas foi conseguindo vencer um grande número de barreiras à implantação da liberdade, encontrando na democracia o regime que melhor assegurava a salvaguarda dos valores a ela ligados, vê-se agora, profundamente ameaçado.

Temos vindo a assistir, ao longo das últimas décadas, a um crescente distanciamento entre as elites governativas, económicas e intelectuais e as suas populações que se sentem ignoradas e esquecidas na resolução dos grandes problemas que hoje mais as atormentam, muitos deles decorrentes das políticas de globalização implementadas pelos países mais desenvolvidos
que, tirando embora da pobreza milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo na Ásia, na América Latina e na África, acabaram por prejudicar fortemente a qualidade de vida de grandes massas da sua população, atingindo, de um modo especial, as suas classes médias, o principal
sustentáculo das democracias.

Explorando os sentimentos de frustração dessas grandes massas da população que vêem ser discutidos temas que pouco ou nada lhe dizem acerca da resolução dos seus problemas, tais como os relacionados com questões de género, os populistas e extremistas de hoje vão tirando partido dos novos meios de comunicação social, agora à mão de qualquer ignaro e malfeitor, espalhando falsas mensagens fomentadoras do ódio e de lutas fratricidas, criando um ambiente propício ao aparecimento dos autocratas, verdadeiras ameaças às democracias ocidentais, seja na América, com Bolsonaro, Javier Milei, J. D. Vance e Donald Trump, seja até mesmo aqui na Europa com Viktor Orban, Roberto Fico, Marine Le Pen ou, em menor grau, Giorgia Meloni.

As palavras e atitudes deste tipo de ir(reponsáveis), alguns com acesso e poder de pôr em causa ou mesmo anular a capacidade de controle das principais instituições do Estado de Direito das democracias, proporcionam o encaminhamento para um ambiente de guerra, tal como aquele que agora mesmo vivemos, e que mais não é do que o sinal de que as trevas ameaçam vencer a luz.

Se é certo que as imagens televisivas dos horrores da guerra que nos vão chegando de vários pontos do globo, infelizmente, deveriam constituir uma oportunidade para nos fazer acautelar as nossas atitudes e decisões quando escolhemos os nossos responsáveis políticos, também é certo que essas mesmas imagens vão contribuindo também para a normalização dessas
horrorosas e chocantes situações.

Estes gravíssimos atentados aos Direitos Humanos que vêm chegando até nós todos os dias, sendo denunciados pela principal entidade internacional ONU Organização das Nações Unidas, actualmente presidida pelo português António Guterres, acabam por resultar em nada, comprovando assim a crescente irrelevância desta instituição criada no culminar das duas grandes guerras que assolaram o mundo na primeira metade do século XX.

Oxalá não volte a ser necessário viver as calamidades que a Europa e o mundo viveram para que sejam finalmente vencidas as trevas.

Boas festas populares de S. João e S. Pedro para todos.

Guimarães, 24 de Junho de 2025
António Monteiro de Castro

Publicado em: 24/06/2025

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