Skip to content
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de opinião
  • Imobiliária
  • Necrologia
  • Sobre nós
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de opinião
  • Imobiliária
  • Necrologia
  • Sobre nós
Assinatura
Login
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de Opinião
  • Necrologia
  • Imobiliária
  • Sobre nós
  • Assinatura
  • Perfil
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de Opinião
  • Necrologia
  • Imobiliária
  • Sobre nós
  • Assinatura
  • Perfil
Assinatura Digital
Login

Clube de leitura

Publicidade

A leitura de um livro ainda continua, para muitos, a ser um prazer. Comprar um livro, deixálo repousar na pilha de publicações,

Decatlon

sentir como ele olha desesperadamente para nós, resgatá-lo da espera e ler, é uma atividade analógica sem par. O ato de ler um livro, apesar de tão antigo, chega a ser, nos dias em que nos encafuamos nos ecrãs digitais horas a fio, verdadeiramente revolucionário e redentor.
Ler um livro é um ato profundamente solitário, e, ao mesmo tempo, uma imensa festa coletiva, em que outras vidas, outras abordagens e pensamentos, entram dentro de nós, como se de uma boa conversa se tratasse.

Há livros que se leem de enfiada tal o gosto em entrar neles e a dificuldade de deles sairmos, outros leem-se a conta-gotas no meio de outras leituras, pois não têm propriamente um enredo que se esqueça no tempo. Nesta última categoria está o Nexus, escrito pelo filósofo israelita Yuval Noah Harari, convertido (justamente) numa estrela, que vou lendo. Um livro sobre a inteligência artificial e, fundamentalmente, sobre a forma como ao longo dos últimos anos nos deixamos enredar (muitas vezes de forma voluntária e incauta) nas redes de informação e lá produzimos uma pegada que nos caracteriza e identifica, transformando-nos em vítimas vulneráveis de alguém que quer controlar a nossa opinião sobre as coisas, ou simplesmente vender-nos sabonetes. O livro é uma aflição. O livro fala das coisas que nos controlam, dos algoritmos que nos levam a pensar, a agir, que nos condicionam, reduzindo-nos a seres amestrados em função daquilo que, ao longo destes anos, fomos permitindo que a rede de informação global conhecesse. O livro não se fica pelos mecanismos de controlo atuais, mas percorre na história outras formas de controlo e influência das massas, se bem que faz notar que as ferramentas tecnológicas disponíveis tornam, hoje, tudo particularmente mais eficaz e irreversível. Nós sabemos disso, desconfiamos disso, mas confrontarmo-nos com isso é, deveras, angustiante.

E o livro fala-nos de coisas que são óbvias quando sobre elas refletimos. É fácil perceber que todos os feeds e as ideias neles difundidas nos tendem a radicalizar, pois o que é radical, ao contrário do bom-senso, é aquilo que (verdadeiramente) chama à atenção.

A sociedade digitalizada das redes e tecnologias de informação penetrou na nossa vida de forma irreversível. A quantidade de informação de qualidade que hoje existe e que podemos consultar sem sair de casa, a facilidade de chegar a lugares sem termos de perguntar “ó chefe onde fica a rua tal?”, a possibilidade de, em segundos, ouvirmos aquela música que estava alojada algures no nosso cérebro, ou escolhermos um restaurante no meio de nada, chega a ser mágico. Mas essa magia tem naturalmente um preço. É importante percebermos isso e sabermos até onde estamos dispostos a pagá-la. Navegar na internet está-nos a oferecer perigos como a dos navegadores de antigamente. Eles arriscavam a vida no mar, nós, por estes dias, arriscamos a nossa liberdade, a nossa individualidade.

A sociedade em que vivemos levou uma volta tão grande nas últimas décadas que as coisas simples que fazíamos se tornaram estranhas e inusuais. Recentemente aconteceram-me duas coisas dessas, extraordinárias. Uma delas através de um convite para participar num clube de leitura com alunos do secundário, na outra, um amigo ofereceu-me uma garrafa de champanhe acompanhada de um cartão escrito pelo seu próprio punho.
No clube de leitura estive à conversa com adolescentes que olham os livros com o mesmo embasbacamento que eu os olhava na adolescência e (espero) que ainda tenho. Partilhei com eles a minha fascinação pela novela Noites Brancas de Dostoyévsky, que eu li quando tinha a idade deles. Aprendi imenso com as perspetivas que partilharam por livros que já li há anos e que eles liam agora com inegável e devotada satisfação.
No cartão que o amigo me escreveu, com a oferta, fui decifrando na sua letra difícil, encavalitada, inclinada, aquilo que as palavras me diziam e toda a amizade que aquelas palavras escritas transportavam. Magicamente. Não foi propriamente a graça da oferta que me entusiasmou, mas o cuidado de a descrever, de forma humorada e ligando-a a uma curta conversa que tivemos.
Gesto antigo, também este.
As coisas que dantes valiam a pena, continuam a valer hoje. Não é pela tecnologia que não as repetimos. É, apenas, por um estranho esquecimento.

Publicado em: 26/11/2024

Ethos Guimarães Verde Ethos -fixo 1

Notícias Relacionadas

Guimarães e a inteligência artificial: pormos a tecnologia a trabalhar

Domingos Bragança, cidadão honorário de Guimarães

Já ninguém ouve ninguém

Footer Guimarães Digital

Contactos Rápidos

+351 253 421 700
geral@guimaraesdigital.com
Edifício Santiago, Rua Dr. José Sampaio n.º 264, 4810-275 Guimarães
Ficha Técnica Contactos Estatuto Editorial
Copyright © 2026 EPIC Júnior
AO VIVO
A TOCAR AGORA
Aguardando rádio...
Consentimento de cookies e política de privacidade

Para proporcionar a melhor experiência possível, utilizamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou aceder a informação do dispositivo. Ao consentir estas tecnologias, permite-nos processar dados como comportamento de navegação ou IDs exclusivos neste site. A recusa ou a revogação do consentimento pode afetar negativamente determinadas funcionalidades.

Funcional Always active
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para a finalidade legítima de permitir a utilização de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou para a finalidade exclusiva de realizar a transmissão de uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas.
Preferences
The technical storage or access is necessary for the legitimate purpose of storing preferences that are not requested by the subscriber or user.
Statistics
The technical storage or access that is used exclusively for statistical purposes. The technical storage or access that is used exclusively for anonymous statistical purposes. Without a subpoena, voluntary compliance on the part of your Internet Service Provider, or additional records from a third party, information stored or retrieved for this purpose alone cannot usually be used to identify you.
Marketing
The technical storage or access is required to create user profiles to send advertising, or to track the user on a website or across several websites for similar marketing purposes.
  • Manage options
  • Manage services
  • Manage {vendor_count} vendors
  • Read more about these purposes
View preferences
  • {title}
  • {title}
  • {title}