Na celebração dos 900 anos da Batalha de São Mamede, em 2028, o Presidente da Câmara quer ver consagrado o 24 de Junho de 1128 como feriado nacional.
Na sua intervenção na sessão solene que assinalou mais um aniversário do Dia Um de Portugal, Ricardo Araújo, sublinhou que o triunfo de D. Afonso Henriques na batalha contra os apoiantes de sua mãe, constituiu o início de Portugal.
“Desejamos tornar claro que não celebramos São Mamede para engrandecer Guimarães diante de Portugal. Celebramos São Mamede para, a partir de Guimarães, celebrarmos Portugal. O 10 de junho é o grande dia da nossa língua, da nossa cultura, dos portugueses no mundo, da pátria que se abriu ao mar e ao universo. Mas antes de Portugal ser canto, foi decisão, antes de ser a expansão, foi raiz, antes de ser destino, foi começo. E esse começo tem dia, tem lugar e tem nome: 24 de Junho de 1128, São Mamede, Guimarães”, afirmou o Presidente da Câmara.
É com a certeza que esse marco histórico foi o “instante fundador”, que o Presidente da Câmara de Guimarães espera ver reconhecido em 2028 o 24 de Junho feriado nacional.
“Fernando Pessoa pediu a D. Afonso Henriques que nos desse o exemplo inteiro e a inteira força. É um pedido antigo, mas sempre renovado. É um apelo que continua a atravessar-nos como se a história ainda nos perguntasse se estamos à altura dela. É por isso que temos defendido com firmeza, serenidade institucional e sentido de Estado que em 2028, quando se cumprirem os 900 anos da Batalha de São Mamede, o 24 de Junho tem que ser celebrado pelo país. Tem que ser celebrado por Portugal. E por isso mesmo deve ser celebrado também como feriado nacional”, salientou no que foi secundado com aplausos dos presentes.
A sessão solene contou com a presença do Ministro das Infraestruturas e Habitação em representação do Governo. Na sua intervenção, Miguel Pinto Luz referiu-se à Batalha de São Mamede como o acto fundador da portugalidade.
“São Mamede é muito mais do que uma batalha, mais do que uma vitória de um homem só. Não se trata de um gesto de rebeldia de um jovem príncipe, mas sim a manifestação decisiva de independência e de afirmação de um povo. São Mamede é a primeira afirmação do que é o ser português. Muitos são os escritos e as alusões artísticas à Batalha de São Mamede. Poderia citar vários reputados historiadores que tanto se dedicaram a este tema, ou mesmo o nosso maior poeta, Luís de Camões. Mas optei por referenciar um mural do pintor Acácio Lino.Uma obra de 1922 que está exposta no Museu da Assembleia da República. Um mural que, como não podia deixar de ser, é alusivo à Batalha de São Mamede e cujo inspirador título é somente isto: A Primeira Tarde Portuguesa”, referiu.
Para Miguel Pinto Luz o mural de Acácio Lino desperta os sentimentos de orgulho, agradecimento e noção de continuidade e futuro. É nessa perspectiva que o Governante considera que a celebração dos 900 anos da Batalha de São Mamede remete-nos para novos desafios.
“Não podemos deixar São Mamede nos recantos saudosistas da nossa história. Temos de a trazer para o presente, celebrá-la, estudá-la, aprendê-la e, sobretudo, vivê-la. Este é o desafio que vos deixo. Que as celebrações dos 900 anos da Batalha de São Mamede sejam a inspiração para novas conquistas, para novos desígnios, para um novo futuro. Para um país que, inspirado pela nossa história e pelos feitos dos nossos antepassados, das gentes de Guimarães, se una e continua a construir Portugal. Um futuro com coragem e ambição, com decisões difíceis, mas certas. Um futuro que nasce no Minho e se expande até aos Algarves. Um futuro que solta amarras e, sem medos, navegue por novos mares. Um futuro amigo dos que arriscam, dos que lutam. Um futuro justo e solidário. Um futuro sem adamastores ou velhos do restelo. Um futuro com a ousadia, a liberdade e a ambição do nosso, nosso D. Afonso Henriques”, concluiu.
Na sessão realizada no Centro Cultural Vila Flor, o ex-presidente da Câmara Domingos Bragança recebeu a Medalha de Honra Municipal, a mais alta distinção de Guimarães.
A título póstumo foram entregues a Medalha de Mérito Municipal a Delfim Rodrigues, a Medalha de Mérito Cívico a Eduardo Ribeiro e Wladimir Brito.
Com Medalhas de Mérito Empresarial foram distinguidos os empresários vimaranenses Joaquim Oliveira Mendes, da JOM e Antónia Oliveira Gonçalves, radicada em França.
Já com a medalha de mérito social foi reconhecido o percurso de António Dias Lopes, o ex-presidente da Associação de Reformados de Guimarães. A Medalha Municipal de Serviços Distintos – grau prata – foi entregue ao Intendente João Ramada Martins, ex-Comandante da Divisão Policial de Guimarães da PSP.
Publicado em: 24/06/2026