O treinador do Vitória, Tiago Margarido, esteve na sala da imprensa da Academia para promover a antevisão do encontro com o Marítimo, da 9ª jornada da Liga. O encontro está marcado para as 20h45 desta sexta-feira, no Estádio D. Afonso Henriques.
Qual a melhor receita para conseguir regressar aos triunfos?: “A receita passa muito por jogarmos o nosso futebol ofensivo, que temos jogado até então. O Marítimo é uma equipa que é muito bem organizada, é uma equipa com experiência, uma equipa pesada, porque é uma equipa com jogadores que sabem ler muito bem os momentos do jogo. E nós temos que ser fortes, temos que ter a capacidade de ter um jogo ofensivo, como temos tido, um jogo envolvente, com os laterais a criar inúmeros desequilíbrios. O Marítimo é uma equipa muito organizada, tem os seus pontos fortes, procura num momento com bola sucessivas trocas posicionais, nomeadamente na questão de encaixe. É uma equipa que procura jogar um jogo ligado, que tem a sua valia, mas eu acredito muito que se nós formos fiéis àquilo que temos feito até hoje, vamos conseguir vencer o jogo.”
Que reação espera dos adeptos no regresso ao D. Afonso Henriques após as críticas que surgiram no final do jogo com o Moreirense?: “Tenho a certeza absoluta que os nossos adeptos percebem que precisamos muito deles e que vão criar um ambiente infernal para o nosso adversário. Vão-nos apoiar durante os 90 minutos, vão-nos ajudar nos momentos em que estivermos menos bem. Sei que são adeptos inteligentes e percebem o quanto precisamos deles neste momento, e vão criar um ambiente muito difícil para o nosso adversário. No final terão a oportunidade depois de fazer o juízo que tiverem que fazer, mas durante aqueles 90 minutos eu tenho a certeza que vão estar do nosso lado e vão-nos catapultar para grandes momentos durante o jogo.”
Vai poder ter mais soluções para o jogo com o Marítimo depois das mazelas resultantes do jogo com o Lamelas?: “Neste momento, ao nível de ausências, temos o Francisco, que será uma ausência mais prolongada, e temos em dúvida o Thiago Balieiro, até a hora do jogo, mas de resto temos tudo recuperado.”
Sente que é o jogo ideal para o Vitória voltar a mostrar o seu melhor nível exibicional?: “Claramente que esse é um dos desafios. No jogo com o Moreirense não tivemos a competência suficiente que temos que ter. O Benfica, obviamente que é um jogo com características muito particulares, e o Lamelas também, porque é um jogo da Taça, que foi jogado num relevado sintético, com uma série de circunstâncias que nós não estamos tão habituados. Houve uma mudança total naquilo que é o onze inicial, o que levou também a que os jogadores não tivessem tantas rotinas, portanto é um jogo com muitas particularidades e muitas especificidades. Temos que fazer muito mais por comparação com o jogo frente ao Moreirense, tenho certeza absoluta que isso irá acontecer já no jogo com o Marítimo. Vamos voltar aos índices exibicionais que mostramos com o Casa Pia, com o Nacional, até com o próprio Arouca. Portanto, acredito muito que a equipa vai voltar à normalidade das suas exibições e que vamos ganhar o jogo.”
Lucas Furtado pode continuar no onze depois de se ter estreado na baliza no jogo da Taça de Portugal?: “É uma possibilidade, sem dúvida, mas não há uma garantia. Não vou dizer a equipa que vai jogar. Como têm percebido ao longo das jornadas, nós temos mudado muitos jogadores, muitos deles já tiveram oportunidades para começar de início. É uma posição que também é possível que aconteça, mas vamos aguardar até à hora do jogo.”
A equipa sentiu maior pressão na preparação para este jogo tendo em vista a importância que tem?: “Nós, aqui no Vitória, entramos em todos os jogos para ganhar. Desde o primeiro dia, desde o primeiro jogo, temos a pressão de ganhar todos os jogos. Portanto, essa questão está bem presente desde o primeiro jogo do campeonato, portanto é algo que nós lidamos com naturalidade e não precisamos de fazer qualquer tipo de trabalho a esse nível, porque os jogadores estão mais do que preparados para isso. Queremos muito ganhar, precisamos dos três pontos, e trabalhamos muito para os conseguir. A equipa está tranquila, está confiante, trabalhamos muito, precisamos dos três pontos, e queremos muito ganhar os três pontos.”
Como é que analisa as mudanças nas equipas técnicas que se registaram nos últimos dias?: “Há uma cultura instalada em Portugal, os treinadores são sempre responsáveis por aquilo que é o sucesso ou o insucesso dos projetos. A verdade é que há muita gente envolvida, desde o primeiro dia até o último dia, numa época desportiva. Em Portugal temos a cultura de uniformizar essa avaliação, esse julgamento, numa única pessoa que é o treinador. Como também já foi alertado pela ANTF, não é algo que seja benéfico para a nossa profissão, porque nós, treinadores, ao longo do tempo fomo-nos habituando a ser o saco de pancada, mas acho que essa imagem também é preciso ser desmistificada. Num projeto global, onde há muita gente envolvida, há muitos responsáveis, e nós treinadores, naquilo que é a defesa da nossa profissão, não podemos ser os únicos culpados daquilo que é um insucesso ou um sucesso desportivo. Acho que é uma cultura que está instalada no nosso país, na minha opinião não deveria ser assim, temos que saber lidar com isso. Na minha opinião, não deveríamos ser o único saco de pancada que existe nas estruturas, porque nem sempre a culpa é dos treinadores quando as coisas não correm tão bem. Algumas vezes é, e também não nos podemos esconder disso, mas outras vezes não é. Mas, acho que muitas vezes as estruturas e o futebol português escondem-se naquilo que é o treinador quando as coisas não correm tão bem.”
Publicado em: 22/10/2026