O Tribunal Arbitral do Desporto decretou a suspensão do castigo de 75 dias que foi aplicado ao presidente do Vitória, António Miguel Cardoso, pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol.
No documento datado de 19 de Janeiro e divulgado esta terça-feira, o TAD deu provimento à providência cautelar interposta por António Miguel Cardoso a 16 de Dezembro do ano passado, depois do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol ter decretado uma suspensão de 75 dias e uma multa de 8.568 euros, após as críticas à arbitragem que resultaram do jogo com o Benfica.
“À luz dos fundamentos expostos, o Colégio Arbitral delibera, por unanimidade, decretar a medida cautelar de suspensão da execução da sanção disciplinar de suspensão de 75 dias aplicada ao demandante”, lê-se no documento publicado no site do Tribunal Arbitral do Desporto
No processo, a Federação Portuguesa de Futebol argumentou que “as ofensas a agentes de arbitragem são sempre sujeitas a uma apreciação casuística, detalhada e contextualizada”, invocando acórdãos anteriores do TAD e jurisprudência do Tribunal Central Administrativo do Sul para defender o castigo.
Já António Miguel Cardoso realçou que as declarações foram proferidas ao “abrigo da liberdade de expressão”, que o castigo o iria impedir de exercer a sua função na plenitude durante um período correspondente a 10 jogos da equipa principal de futebol, sem “reposição ou compensação ‘a posteriori'”.
O Colégio Arbitral reconhece, no documento, que António Miguel Cardoso é, com “probabilidade séria”, “titular do direito de que se arroga” e que são “graves e irreparáveis os prejuízos que podem resultar da aplicação de uma suspensão de 75 dias, seja a nível laboral seja ao nível de exercer as funções inerentes ao cargo que exerce”.
As sanções do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol diziam respeito às declarações prestadas por António Miguel Cardoso a 2 de Novembro do ano passado, depois da derrota do Vitória frente ao Benfica, na 10ª jornada da I Liga, em que criticou o árbitro João Pinheiro por mostrar o cartão amarelo ao benfiquista Sudakov após falta sobre Samu e vermelho ao vitoriano Fabio Blanco após falta sobre Leandro Barreiro. “Já não tenho dúvidas de que os lances protagonizados pelo Sudakov e pelo Fabio Blanco, com as camisolas contrárias, seriam ajuizados de outra forma, sem motivos para discussão. O primeiro receberia ordem de expulsão, o segundo apenas seria penalizado com cartão amarelo. Teríamos ido com o jogo empatado e com mais um jogador para o intervalo”, disse o dirigente, na altura.
Publicado em: 27/01/2026