O Grupo Desportivo de Serzedelo denunciou insultos racistas ao seu jogador Panin Boakye, no decorrer do jogo com o São Cristóvão, da Taça Associação de Futebol de Braga.
A Direção do Serzedelo fez uma exposição à Associação de Futebol de Braga em que revela “a sua profunda indignação perante os acontecimentos verificados durante e após o encontro”, denunciando que “durante a partida, o nosso atleta Panin Boakye foi alvo de insultos de natureza racista provenientes da bancada adversária. Uma situação absolutamente inaceitável, que merece a nossa mais firme condenação e que, segundo os acontecimentos verificados, esteve na origem da reação que conduziu à sua expulsão.”
O Serzedelo considera “particularmente grave o episódio ocorrido no final da partida, quando o Sr. Árbitro Assistente, perante a nossa manifestação de desagrado relativamente aos acontecimentos, terá afirmado que estávamos a utilizar um «argumento barato» para justificar a derrota. Não podemos aceitar nem deixar passar em claro este tipo de afirmações.”
O comunicado prossegue: “Em primeiro lugar, o resultado desportivo não justifica nem desculpa comportamentos racistas. Em segundo lugar, importa recordar que o nosso golo do empate foi alcançado já depois da expulsão do nosso atleta, pelo que não estamos perante uma tentativa de encontrar justificações para o resultado através de um episódio disciplinar. Não pretendemos desviar o foco do que realmente importa, nem transformar esta exposição numa discussão exclusivamente sobre arbitragem. Ainda assim, não podemos deixar de lamentar alguns critérios e decisões da equipa de arbitragem ao longo do encontro, que merecem igualmente uma análise por parte das entidades competentes.
O Grupo Desportivo de Serzedelo sabe ganhar e sabe perder. O resultado faz parte do futebol. Caímos de pé, com orgulho na atitude, na entrega e no compromisso demonstrados pelos nossos atletas. Sabemos que a Associação de Futebol de Braga não se revê neste tipo de comportamentos, seja por parte dos adeptos, seja por parte dos elementos que integram as suas equipas de arbitragem. É precisamente por reconhecermos os valores institucionais que a Associação representa que esperamos uma intervenção firme e consequente perante os acontecimentos relatados.”
Por isso, a Direção do Serzedelo solicitou à Associação de Futebol de Braga “uma posição firme e uma intervenção adequada, não só para que comportamentos racistas como os alegadamente verificados por parte da bancada adversária não voltem a repetir-se, mas também relativamente à conduta do Sr. Árbitro Assistente, pelas palavras proferidas no final do encontro. Consideramos que nenhum atleta deve ser alvo de discriminação em razão da sua origem ou cor da pele. Da mesma forma, nenhuma instituição desportiva deve ver uma denúncia de racismo desvalorizada por quem tem responsabilidades na arbitragem e na promoção dos valores do desporto. Esperamos, por isso, que ambas as situações sejam devidamente averiguadas e que sejam retiradas as necessárias consequências. Há uma coisa que queremos deixar absolutamente clara: não estamos a reclamar por um resultado, estamos a exigir respeito por um atleta, pela nossa instituição e pelos valores que defendemos. Podemos aceitar uma derrota. Podemos aceitar decisões com as quais não concordamos. Faz parte do futebol. Aquilo que não podemos aceitar é que a luta contra o racismo seja desvalorizada ou tratada como um argumento barato. O resultado é futebol. A dignidade humana não se discute. O Grupo Desportivo de Serzedelo continuará a ser intransigente na defesa destes valores, dentro e fora das quatro linhas. Porque há valores pelos quais não estamos dispostos a ceder. E esses, para nós, não saem baratos.”
Publicado em: 02/11/2026