As festas em honra de Santo Estevão, em Urgezes, mantêm viva uma tradição profundamente enraizada na freguesia. Na organização está José Carlos, membro activo dos escuteiros locais e um dos rostos de um trabalho que se faz, acima de tudo, “em prol da nossa comunidade”.
“Faço parte dos escuteiros aqui em Urgezes. É a fraternidade e vamos colaborando sempre com a Junta quando há iniciativa”, explica, sublinhando que o envolvimento nas festas não é recente. “Já vem de há alguns anos. As pessoas mais velhas acabam por nos ir arrastando e o associativismo nas freguesias leva-nos a ajudar porque sim, porque gostamos”, acrescenta.
A edição deste ano segue a linha das anteriores, num dia que, apesar de acontecer logo após o Natal, continua a mobilizar a freguesia e visitantes. “É sempre um dia complicado, o 26 de Dezembro, ali a seguir ao Natal”, reconhece o responsável, mas garante que a resposta do público continua a ser positiva.
Apesar de Urgezes ser uma freguesia urbana e populosa, o que por vezes dificulta a mobilização de todos, José Carlos destaca a existência de um “núcleo duro” de participantes e a forte adesão de pessoas das freguesias vizinhas. “Há muita gente que gosta de Urgezes, gosta de viver o Santo Estevão de Urgezes. E isso vê-se bem na procissão, quando saímos à rua e vemos as ruas cheias”, aponta.
A proximidade à cidade acaba por ser uma vantagem, atraindo quem vem de fora e contribuindo para a dimensão da festa. “Sente-se claramente essa presença”, afirma.
Questionado sobre se a afluência se deve mais ao espectáculo ou à devoção, José Carlos não hesita: “Eu penso que é pela devoção.” A procissão, que durante muitos anos não saiu à rua, voltou há cerca de uma década e tem crescido desde então. “São 10 ou 11 andores, envolve uma logística muito grande, muitas pessoas a ajudar. E isso é a prova de que as pessoas gostam e valorizam”.
Embora admita que a devoção popular possa não ser tão intensa como em tempos passados, José Carlos acredita que Santo Estevão continua a ser uma referência. “Quem conhece a história de Santo Estevão vê nele um modelo e continua a vir venerá-lo”.
A organização da festa exige preparação e sacrifício, especialmente numa altura tão próxima do Natal. “Tentamos deixar tudo preparado antes do dia 24, mas roubar tempo acaba sempre por roubar”, confessa, entre sorrisos. “Mas quem corre por gosto não cansa”. sublinha. O apoio da família é, segundo José Carlos, fundamental. “Se não tivermos compreensão em casa, acabamos por desanimar. Aqui é igual ao escutismo: a família é sempre um suporte”.
A expectativa para este ano é manter a “dedicação” e o “espírito comunitário” que caracterizam as festas de Santo Estevão. “Queremos que as pessoas reconheçam esse trabalho, que compareçam, que nos ajudem e que vivam a festa connosco”, conclui José Carlos.
*Artigo publicado na rubrica «Pessoas & Causas» da edição de 24 de dezembro do jornal O Comércio de Guimarães.
Publicado em: 26/12/2025