A Santa Casa da Misericórdia de Guimarães vai encerrar a sua Unidade de Cuidados Continuados (UCC) até ao final do ano. A decisão, comunicada pelo provedor Eduardo Leite, resulta do “custo anual” que a instituição já enfrentava há vários anos com a UCC.
“A Santa Casa é uma instituição de solidariedade e, como tal, vive do que recebe do Estado e dos utentes. Esta valência, infelizmente, é deficitária há muitos anos, com prejuízos que chegam aos 300 mil euros anuais”, explicou o Provedor em entrevista ao Grupo Santiago.
Segundo Eduardo Leite, o encerramento “não se deve a problemas de funcionamento ou qualidade do serviço”, mas sim à “impossibilidade de sustentar os custos operacionais”, uma vez que os valores pagos pelo Estado não acompanham o aumento das despesas.
“Nas residências para idosos conseguimos ajustar as mensalidades conforme os custos sobem. Mas nas unidades de cuidados continuados isso não é possível. Os pagamentos vêm do Estado, são fixos e não podemos alterá-los. Assim, tornava-se incomportável continuar”, sustenta.
O contrato da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães com a Rede Nacional de Cuidados Continuados termina em Dezembro de 2025, de acordo com o Provedor, e é nessa data que a instituição “não renovará o acordo com o Estado”.
“Já há muito tempo que tínhamos vontade de encerrar a Unidade, mas não podíamos fazê-lo antes do fim do contrato. Agora, no período próprio, resolvemos não continuar, com muita pena, porque era uma unidade muito boa e bem organizada”, referiu Eduardo Leite.
A unidade acolhia 33 utentes e empregava uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde, com enfermeiros, médicos e terapeutas. Apesar do bom funcionamento, o custo de manter o serviço tornou-se “injustificável”, segundo Eduardo Leite, que sublinhou a necessidade de “preservar a estabilidade financeira global da instituição”.
“Não fazia sentido retirar dinheiro de outras respostas sociais para cobrir um serviço deficitário. Temos de garantir recursos para apoiar as nossas equipas, que trabalham muito e merecem ser valorizadas”, defendeu.
Com o encerramento da unidade, os mais de 30 utentes foram já notificados e o processo de realocação está a ser conduzido pelos serviços da Rede de Cuidados Continuados.
“Quando notificamos a Segurança Social, eles começam de imediato a alocar os utentes a outras instituições, consoante as vagas existentes. Pode ser dentro ou fora do Concelho, conforme a disponibilidade”, explicou.
Eduardo Leite lamentou ainda o encerramento, mas considera que “a sustentabilidade financeira da instituição” deve prevalecer. “Tudo corria bem, o serviço estava impecável, mas a parte financeira é determinante. Não podemos manter uma valência com prejuízo constante. Foi uma decisão difícil, mas necessária”, apontou o Provedor.
Centro Social da Paróquia de Nespereira
encerra Unidade de Longa Duração
O Centro Social da Paróquia de Santa Eulália de Nespereira anunciou o fim da Unidade de Longa Duração da sua Unidade de Cuidados Continuados. Numa mensagem na sua página da rede social, o Centro indica que encerrou “um ciclo importante” que dará lugar a “uma nova resposta social”.
De acordo com o que é anunciado, a instituição passará a “acolher e acompanhar pessoas de diferentes situações e necessidades”. “Idosos, doentes em recuperação, pessoas temporariamente dependentes ou simplesmente quem precisa de apoio, cuidado e presença”, pode ler-se na nota.
Contactado pelo Grupo Santiago, o Presidente da Direcção do Centro Social da Paróquia de Santa Eulália de Nespereira, padre Francisco Xavier, escusou-se a prestar mais esclarecimentos.
Publicado em: 03/11/2025