A redistribuição de cargos executivos nas empresas com ligação municipal de Guimarães levou o vereador socialista Ricardo Costa a questionar o executivo sobre o possível aumento de custos nos respectivos orçamentos. O presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, defendeu a nomeação de gestores profissionais em regime remunerado e exclusivo, substituindo vereadores que antes acumulavam funções não remuneradas.
Durante a reunião de Câmara, Ricardo Costa criticou o que considera ser um aumento significativo de despesa pública, estimando “mais de 500 mil euros anuais” de custos adicionais para o orçamento municipal e para as entidades participadas.
O vereador socialista acusou o executivo de “não ter anunciado esta mudança em campanha eleitoral”, defendendo que a substituição de autarcas por gestores executivos remunerados “onera o erário municipal sem que esteja demonstrado qualquer ganho de eficiência”.
“Nada disto foi dito aos eleitores. Assistimos hoje a uma quebra de confiança entre os eleitores e o Executivo”, afirmou Ricardo Costa.
O vereador contestou ainda o argumento da eficiência, defendendo que os anteriores presidentes, frequentemente vereadores, cumpriam as funções com maior escrutínio público e sem remuneração adicional.
Ricardo Araújo respondeu de forma directa, classificando as críticas como “imprecisas” e defendendo que quem as faz “não sabe do que está a falar”.
O Autarca explicou que a medida visa “aumentar a transparência, a eficiência e a responsabilização”, assegurando administrações com” disponibilidade total e independência política”.
“Nós não podemos gerir empresas públicas de forma amadora. Para exigir responsabilidade, os administradores têm de estar a tempo inteiro e não podem ser vereadores”, afirmou.
Ricardo Araújo lembrou ainda que o modelo anterior obrigava vereadores a pedirem escusa de votações por incompatibilidade, situação que, segundo disse, foi também apontada pela Inspeção-Geral de Finanças num relatório preliminar.
O Presidente da Câmara destacou que os novos responsáveis das empresas municipais foram escolhidos com base nos seus “currículos e experiência”, rejeitando motivações partidárias.
Ricardo Araújo frisou que alguns dos novos dirigentes têm ligações anteriores ao PS, o que, segundo o presidente, demonstra que “não houve qualquer filtro partidário”. O Edil assegurou ainda que o processo está a ser conduzido “com serenidade e sem pressas”.
Publicado em: 24/11/2025