A localização das futuras residências universitárias no Avepark voltou a ser alvo de discussão no Executivo vimaranense. Ricardo Araújo, vereador do PSD, considerou que o investimento superior a 13 milhões de euros “começou mal, continua mal e pode não responder às necessidades reais de alojamento estudantil em Guimarães”. As críticas surgem na sequência da aprovação da proposta para início de novo procedimento, tendo como objectivo terminar a obra que se encontra parada devido à insolvência de uma empresa que integrava o consórcio que venceu o concurso inicial.
O social-democrata defendeu que o alojamento deveria estar situado “onde está a procura, junto à Universidade do Minho ou ao IPCA, na cidade de Guimarães”, e não em Barco. “Aquele investimento que ali se está a fazer, de 16 ou 17 milhões de euros, não vai ter o retorno, nem vai dar a resposta, que nós entendemos que devia dar com o mesmo investimento, porque ele devia ter sido localizado noutro sítio que não no Ave Parque. A tipologia T0, T1 e T2 parece desenhada para alunos de doutoramento ou pós-doutoramento, mas não resolve o problema principal, que é o dos estudantes que chegam a Guimarães e precisam de residir perto das instituições. Não resolve o problema de alojamento principal. Que é o alojamento estudantil”, afirmou.
Ricardo Araújo criticou ainda a demora na disponibilidade de novas residências quando estamos a iniciar mais um ano lectivo. a questão de que em economia se diz o custo da oportunidade. “Nós investimos um determinado montante numa coisa, significa que deixamos de investir noutra.Eu preferia, claramente, ter apostado em mais construção de residências estudantis no centro da cidade e, porventura, a um custo inferior do que aquele que foi projectado para uma obra toda muito bonita, mas que, porventura, vai correr o risco de não servir a sua principal razão de construção. Não estou a dizer que o erro seja todo da Câmara, porque seguramente houve empresas que participaram no concurso, que sabiam ao que iam e deviam ter sido capazes de executar todo o plano a que se candidataram e que contratualizaram com a Câmara”, defendeu.
O presidente da Câmara, Domingos Bragança, assegurou que o município está a agir para evitar a perda de financiamento europeu. “Optámos por um acordo com a entidade construtora, em alternativa a litígios que poderiam arrastar-se anos. Assim, garantimos que a residência, que está já com 60% da construção, fique concluída e que não se perca o valor do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), cerca de 6 a 7 milhões de euros”, explicou.
O Edil Vimaranense reconheceu os constrangimentos, mas insistiu na importância estratégica do projecto. “O equipamento é fundamental para o Avepark, para o IPCA, para os centros de investigação e para todo o ecossistema académico que ali se desenvolve. Guimarães precisa de aumentar a oferta de alojamento estudantil, e esta residência vai dar um contributo relevante”, afirmou.
Sobre os custos, Domingos Bragança disse que o novo concurso foi lançado com base nos valores iniciais, admitindo a possibilidade legal de variação até 20%. “Se houver derrapagem, a Câmara terá de assegurar a conclusão com recursos próprios ou através de outros fundos europeus. Mas não é a Câmara a responsável pelo incumprimento. O que esperamos é que, no mínimo, se mantenha o financiamento já atribuído e, se possível, até se consiga uma majoração”, acrescentou.
O presidente sublinhou ainda que a opção pela construção modular “não foi aventureira”, apontando que se trata de uma tecnologia já aplicada com sucesso por empresas nacionais, como a Casais. “Houve dificuldades financeiras e técnicas do empreiteiro, mas não desistimos. Queremos a obra concluída o mais depressa possível, porque sabemos da urgência que as famílias e os estudantes enfrentam”, concluiu.
Publicado em: 02/09/2025