A vereação vimaranense rejeitou a proposta do PS que pretendia a constituição de equipas multidisciplinares de serviços urbanos para apoiar as freguesias e as respectivas juntas na resolução de problemas relacionados com higiene urbana, limpeza e manutenção de espaços verdes.
Na reunião do Executivo realizada na passada segunda-feira, o socialista Ricardo Costa começou por contextualizar as “competências cruzadas nas áreas de limpeza urbana, manutenção de espaços verdes, pequenas reparações de via pública e apoio logístico a eventos e aos estabelecimentos de ensino” num modelo em que “cada equipa será dotada de recursos humanos com perfis complementares, bem como de maquinaria e equipamentos adequados à execução autónoma de tarefas”.
O vereador do PS indicou que o estudo realizado “propõe uma lógica de actuação territorial baseada em núcleos operacionais policêntricos, através das Comissões Sociais Interfreguesias (CSIF), já estruturadas no território, articuladas com as actuais capacidades instaladas, nomeadamente das vilas de maior dimensão ou com centralidade funcional já reconhecida”, envolvendo 54 colaboradores e um investimento na ordem de um milhão 775 mil euros.
O vereador do PSD com competências relacionadas com os espaços verdes e freguesias apontou a insuficiente fundamentação “quer ao nível técnico, quer financeiro”, observando ainda outras fragilidades. “Não olha para o território com as suas especificidades. Existem zonas do nosso território em que através da medição do número de fogos e do número de habitantes não se consegue transmitir as necessidades dessas freguesias”, afirmou Alberto Martins, acrescentando que não surge esclarecido “o papel das juntas de freguesia neste processo”. “As freguesias não aparecem mencionadas nesta proposta enquanto parceiros decisivos na organização e no planeamento do trabalho”, salientou, continuando: “em nenhum momento é dito se o espaço público apenas diz respeito à parte municipal ou vicinal, atendendo que muitas juntas de freguesia têm sobretudo espaços vicinais e têm muita dificuldade por o seu território ser bastante disperso”. “Ficou por esclarecer se o que irá acontecer às competências delegadas que as juntas de freguesia têm quanto à limpeza de vias, valetas e sumidouros e espaços verdes”, argumentou, assinalando que não surge apresentado “o grau de definição” das actividades abrangidas na proposta, nem “como se fará a articulação com as juntas de freguesia”.
Durante a discussão, o Presidente da Câmara ainda desafiou o vereador socialista a retirar a proposta para que o assunto fosse aprofundado juntamente com os serviços municipais. O vereador do PS recusou, garantindo que o seu continuará a apresentar propostas “para servir melhor os vimaranenses”, ao insistir que a proposta “apresenta como diferente a rapidez e a agilidade da resposta dada às juntas de freguesia”. “Não está em causa a delegação de competências que esta Câmara tem nas juntas de freguesia. O que um Presidente de Junta quer é que lhe respondam rapidamente aos seus problemas e, por vezes, demoram-se dias, semanas e meses a responder a um pedido de intervenção”, disse Ricardo Costa, ao sustentar que “o valor que o Município transfere na delegação de competências para a gestão de espaços verdes é muito curto”.
Defendendo que “o que está em causa é uma reorganização dos serviços e não uma contratação de 54 pessoas”, o representante do PS explicou que as equipas multidisciplinares propostas resultaria envolveriam os serviços municipais, a Vitrus e até algumas delegações de competências que existem nas juntas de freguesia com o intuito de responder de forma mais ágil”. “É tecnicamente rigorosa porque chega ao ponto de dizer qual a densidade habitacional de cada freguesia, o número de escolas, número de habitações, os equipamentos existentes”, alegou, considerando que a proposta foi chumbada “por questões partidárias”. “No essencial, não tenho dúvidas que o Presidente da Câmara queria aprovar a proposta, mas por uma questão de partidarite que não serve os vimaranenses chumbou a proposta”, declarou, ao asseverar: “só se gere bem com maior proximidade e o Presidente da Junta é o primeiro contacto que as freguesias têm para receber os seus problemas. E a Câmara tem de estar mais desburocratizada e mais ágil, com recursos humanos e meios polivalentes”.
“Ao longo dos últimos oito meses, fizemos parte das soluções que este Executivo propôs, mas que tem vindo a integrar e a inaugurar aquilo que vem do passado. Achamos que a partir desta altura é tempo do PS fazer críticas construtiva no sentido de trazer propostas a esta Câmara”, prosseguiu, ao salientar que apresentará propostas relacionadas com a mobilidade, a habitação, a saúde para servir melhor os vimaranenses. “O que nos move é servir melhor as pessoas”, frisou, reconhecendo que esta medida constava do programa eleitoral do PS.
A proposta acabou rejeitada com os votos contra dos vereadores do PSD e do CDS-PP, obtendo a abstenção do representante do Chega.
Publicado em: 03/08/2026