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Reflexões que Guimarães tece

Bolama
Teste fixo 2 - worten
Um viandante levíssimo sussurro retorna como eco destes escritos, acusando-os de uma permanente crítica. De uma espécie de agrura negativa contra o que está e no que este consiste.

Não é, porém, essa a sua intenção que, querer-se-ia, apenas deveria apresentar chamadas de atenção para situações que podem comportar alternativas; que não se circunscrevem aos critérios de um inatural tina e, por isso mesmo, podem sempre conter diversas abordagens, ainda que estas sejam discutíveis. Pontos de vista esses que levassem a pensar que soluções únicas e, ou, estáticas, mesmo que conjunturais, são sempre redutoras e têm, como regra, preços futuros na relatividade do decurso existencial em que se movimentam no tempo. É que a vida, qualquer fenómeno material, está permanentemente a evoluir até à sua extinção. Ou extrapolando para uma imagem mais corriqueira e como se começou a ouvir dizer aqui há anos: o que hoje é verdade amanhã pode não o ser (axioma da relatividade). E seguindo a mesma verborreia futeboleira, na sua lógica que não é propriamente uma batata, também se tem concluído que em equipa ganhadora não se mexe. Duas ilações que, utilizadas como premissas, aconselham a não louvaminhar o que está conforme, ou, sequer, o que foi executado e funciona (pois, crê-se, o servir compreende o dever de fazê-lo bem e, por isso, não há razão para, contra hábitos instalados, se lhe atribuírem méritos, nem tecerem louvores). Haverá, assim e apenas, que equacionar permanentemente o progresso e este, crê-se, assenta numa constante discussão e estruturação do ocorrente; de nele se apontarem pontos susceptíveis de questionação, análise e conclusões. E depois no poder, querer e saber prossegui-los para um futuro melhor.
Este, pois, devia ser o continuado jogo sobre o pano verde dum território municipal. Ainda que, segundo a máxima de cada macaco no seu galho e numa organização piramidal de um Estado de democracia representativa como o que acertadamente a Constituição estatui, ele deva ser compaginado com outros mais latos que o coordenem e abranjam segundo regras de competências e atribuições bem delimitadas.
Não haverá, portanto, que referenciar o que já está feito e, tão-somente, apontar-lhe insuficiências actuais susceptíveis de suprimento ou aperfeiçoamento. E, claro e permanentemente, promover a inovação no sentido de um desejável desenvolvimento do bem estar colectivo.
Aliás, voltando atrás e no reforço do que sem tem vindo a defender, basta retroceder nas memórias e as comparações entre um ontem e um hoje dispensam comentários que não passarão disso mesmo, de visões subjectivas de realidades dispares, em que e em quase todos os seus aspectos materiais, o avanço social é manifestamente detectável. E para quem tem essas lembranças, o recuar setenta e tal anos, ou mesmo quarenta ou trinta, ou até menos, dá para verificar que o desnível no cotejo é mais do que evidente e resulta num avanço, repete-se, em quase todos os aspectos que se foquem, que está perfeitamente a vista de quem o possa fazer. Ademais, nestas derradeiras décadas, por cá, por este retângulo estirado de beira mar e sobretudo a partir de Abril de 1974, assistiu-se a um acréscimo significativo das condições de vida e padrões de consumo que seriam impensáveis há cinquenta anos. E que o decurso desse caminho, em muitos aspectos ainda, tinha vindo a acelerar; num, no entanto, recente aparente abrandamento imposto por contextos objectivos inerentes ao sistema.
Simultaneamente com isto, para as gerações da 2.ª Grande Guerra e período imediatamente subsequente, foi também uma época de grande pulo dos valores humanos (e a Declaração Universal dos Direitos do Homem está aí para atestá-lo); de, mormente na Europa, grandes lutas pela afirmação de muitos deles (e ainda que imediatamente anterior, não esquecer o espírito das Brigadas Internacionais na Guerra Civil espanhola). Ora, a assunção desses princípios que se queriam universais e a sua concretização foram a inspiração de muitas vidas e motor de muitos progressos durante décadas. De concepções, projectos e concretizações que nos trouxeram até próximo do fim do século passado. Depois, que há sempre na vida um seguimento, depois … sucedeu uma certa indefinição em que nos encontramos; uma, muitas vezes referida, crise de valores. Compreensível? Certamente! Há e haverá continuamente mutações destes no processo histórico, nos princípios estruturantes, que se vão conformando e adaptando às realidades de cada momento. E é essa adaptação, ajuste, que deve começar a estar sobre a mesa; reencontrar cavalo que resista a essa filoxera e permita uma posterior superior qualidade de videira.
Chegados aqui, como de costume, baixemos agora ao nosso município.
Anuncia-se a revisão do actual PDM para 2020.
O primeiro e a sua reformulação em vigor foram iminentemente documentos técnicos. Independentemente de formal consulta pública quando concluídos (incipiente, insusceptível de quaisquer opções de fundo e quando muito de algumas pequeníssimas alterações de pormenor para satisfação de interesses particularíssimos), o todo das suas intenções não é apreensível, nem se percebe se ele existiu e definia claramente o desenvolvimento integral a prosseguir. Situação que se pensa que não deve manter-se. Será, pois, altura de dar a volta ao texto.
Como fazê-lo?
Haverá muitas hipóteses, mas uma que parece interessante seria a de um concurso de ideias que tivesse por objectivo o desenho dos cenários passíveis de construção sobre a realidade física (incluindo o património imaterial), social, económica e cultural (abarcando a desportiva) do concelho, tendo em vista o seu desenvolvimento harmonioso e progressivo a médio e longo prazo.
Como promovê-lo?
Talvez através de convites endereçados a Universidades prestigiadas (nacionais e não só) que se tenham dedicado a estudos que compreendam o objectivo, instituições públicas ou privadas com as mesmas características e ainda aberto a quaisquer outras pessoas a que se reconhecesse competência para, dentro dos critérios definidos, concorrerem. E recebidos os trabalhos, os seleccionados seriam publicamente apresentados, discutidos e argumentados em sessões abertas e prolongadas pelo tempo que se achasse necessário, numa organização em que cada um deles constituiria uma secção. E finda essa fase, então proceder-se-ia ao apuramento dos premiados e a atribuição ao que viesse a ser utilizado pelo município, se viesse a ser esse o caso, de uma contrato de acompanhamento na sua implementação.
Inútil? Possivelmente. Mas certamente um prólogo mais democrático.
 
Óscar Jordão Pires
Fundevila, 30 de Janeiro de 2019

Teste fixo 2 - worten

Publicado em: 05/02/2019

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