O PRR trouxe uma oportunidade única de investimento público. Há quem diga que foi a última deste tipo. Mas trouxe também uma exigência concreta, dado que tinha um prazo concreto
e dia certo para conclusão. E quando Ricardo Araújo tomou posse, no final de outubro de 2025, recebeu do PS uma herança difícil, obras atrasadas, empreitadas por arrancar, projetos bloqueados e dezenas de milhões de euros em risco de devolução.
Os números ajudam a perceber o ponto de partida. Em agosto de 2025, o novo Centro de Saúde da Encosta da Penha tinha apenas 12,76% de execução. S. Torcato estava a zero. Um ano depois, ambos ultrapassaram os 90%. Urgezes, cuja empreitada só arrancou em fevereiro de 2026, chegou igualmente aos 90% de concretização. Não foi apenas acelerar obras. Foi muito trabalho feito para recuperar, em poucos meses, aquilo que deveria ter sido executado muito antes, mas não foi.
É certo que nem tudo podia ser salvo da mesma forma.
Nos centros de saúde, alguns projetos estavam demasiado atrasados para cumprir o calendário. A solução foi concentrar o financiamento onde havia condições reais para o executar. Por isso, desistiu-se da componente PRR nos centros mais atrasados e reafetou-se essa verba às obras com maior execução. O financiamento municipal libertado passou a assegurar os restantes. Não apareceu dinheiro novo. Foi gerido melhor o disponível.
As residências universitárias do Avepark mostram outra dimensão do problema. A obra não estava simplesmente atrasada, estava parada. A empresa inicialmente contratada entrou em insolvência e abandonou-a quando rondava 58% de execução. Foi necessário resolver um processo jurídico-administrativo complexo, ter coragem de adjudicar a conclusão da empreitada e voltar a corrigir tudo o que PS não foi capaz de fazer. O objetivo era chegar a 90% de concretização de obra até ao final de agosto. Foi conseguido.
Pevidém foi diferente. A Escola EB 2,3 já não tinha nenhumas condições para cumprir os prazos do PRR. Insistir seria aumentar o risco financeiro, penalizar os cofres municipais e a boa gestão do dinheiro público. A decisão foi retirar a obra do PRR e procurar outra fonte de financiamento. O trabalho está em curso e a obra continua a avançar.
Mas é na habitação que a fatura do tempo perdido pelo PS se torna mais evidente. O acordo com o IHRU previa a aquisição de 401 frações. Destas 401, apenas 111 chegaram a ser contratualizadas no PRR e, quando o atual Executivo tomou posse, nenhuma estava no terreno, ou sequer pronta para ser lançada. Resultado: não foi possível a Guimarães construir ou adquirir uma única – uma única – fração ao abrigo do PRR. Tudo o que havia antes eram intenções. E muitas famílias com problemas sem respostas.
O Executivo de Ricardo Araújo contratualizou entretanto a aquisição de 75 casas. Mas já fora do PRR. O prazo de junho de 2026 já não era exequível e foi necessário mudar o regime de financiamento. Só essa mudança retirou cerca de 1,5 milhões de euros à comparticipação prevista. São 1,5 milhões de euros que o Município tem agora de suportar quando havia verba disponível no PRR.
Mas essa é apenas a parte mais visível da perda imposta pela inação do PS. O verdadeiro custo foi deixar passar uma janela excecional em que a habitação pública podia beneficiar de uma subvenção muito superior. E construir ou adquirir muitas mais frações de habitação pública que são urgentes para os Vimaranenses. O que não foi feito a tempo terá agora de ser realizado com maior esforço financeiro do Município.
Uma herança não é uma desculpa. Mas também não pode ser apagada. Há atrasos que ainda se conseguem recuperar com trabalho, decisão e capacidade de execução. E há outros que deixam uma fatura no presente e para o futuro.
Foi isso que aconteceu no PRR: corrigir tudo o que não foi feito antes, acelerar onde ainda havia tempo, escolher onde era preciso concentrar recursos e encontrar alternativas onde o prazo já estava perdido.
O dinheiro europeu tem prazo. E chegar tarde pode custar milhões e não dar respostas a quem precisa. Recuperou-se muito do tempo perdido. O que ninguém consegue recuperar é a oportunidade que já passou por culpa do PS.
Publicado em: 10/09/2026