Os militantes do PS vão eleger este sábado a nova Comissão Política Concelhia de Guimarães. A sufrágio apresentam-se duas listas. Pedro Mendes lidera a lista B e fala de uma “candidatura de missão” numa altura em que o PS de Guimarães “está a passar provavelmente o momento mais difícil da sua história”.
Grupo Santiago – Que razões principais determinaram a sua candidatura à liderança do PS de Guimarães?
Pedro Mendes (PM) – O Partido Socialista de Guimarães está a passar provavelmente o momento mais difícil da sua história, depois de uma derrota difícil, pesada e que naturalmente deixou marcas. Entendi por isso que, mais do que nunca, o Partido precisa dos seus militantes, precisa dos seus quadros e precisa de todos aqueles que possam ajudar a ultrapassar este momento e que possam ajudar a preparar o Partido Socialista de Guimarães para os desafios futuros. Nesse sentido, eu e um grupo alargado de militantes, decidimos que não havia outra opção senão dizer presente ao Partido Socialista, dizer presente a Guimarães e dizer presente aos Vimaranenses. Em resumo, esta é uma candidatura de missão, pelo Partido Socialista, mas também por Guimarães e pelos Vimaranenses, que exigem que o Partido Socialista, o Partido que transformou por completo Guimarães e que transformou o nosso Concelho num Concelho de referência, esteja à altura dos acontecimentos e que apresente uma alternativa forte, séria e com um projecto político capaz de representar essa alternativa.
GS – Na sua opinião, que factores determinaram a derrota do PS nas autárquicas de Outubro do ano passado para a Câmara Municipal de Guimarães?
PM – O Partido já fez uma reflexão interna sobre os resultados de Outubro último, e essa reflexão aponta para várias direcções e para vários factores, todos eles na minha opinião válidos e que devem servir para crescermos enquanto estrutura e para percebermos que há erros que não podemos cometer. Dito isto, apesar da derrota, que humildemente assumimos, há notas positivas que devemos acolher e delas partir para fazer crescer novamente o Partido Socialista na sociedade vimaranense. O Partido Socialista continua a ser o Partido mais representativo nas freguesias do Concelho e na Assembleia Municipal, e a nossa obrigação é construir em cima desse resultado, trabalhar muito pelas nossas comunidades, e provar aos Vimaranenses que somos mesmo a melhor alternativa para liderar a Câmara Municipal. Esse trabalho tem de começar já. Em cada um dos nossos eleitos, em cada um dos nossos militantes, e em cada um dos Vimaranenses que acredita que o Partido Socialista é mesmo a melhor alternativa para Guimarães.
GS – Como caracteriza o actual posicionamento do PS no contexto político vimaranense?
PM – O Partido Socialista é um partido incontornável no contexto político vimaranense, primeiro pelo seu passado, que é um passado que muito nos orgulha e cujo legado temos a obrigação de defender, relembro que, apesar de não termos feito tudo (no serviço público nunca está tudo feito) e apesar de termos feito coisas mal (as agruras da governação só as tem quem governa), coisas que humildemente assumimos, relembro, dizia eu, que quando o Partido Socialista chegou ao poder faltava quase tudo em Guimarães, da água canalizada ao saneamento, das estradas em terra à iluminação da via pública, até ao Concelho que hoje temos, um Concelho com Escolas de excelência, um Concelho de projecção Europeia, um Concelho em que os nossos jovens têm cada vez mais oportunidades para crescer e para florescer. Mas o Partido Socialista não vai viver dos rendimentos do seu trabalho passado. O Partido Socialista é um partido de progresso e de futuro, e tem de ser capaz de apresentar uma alternativa e um projecto político capaz de voltar a convencer os Vimaranenses de que somos a melhor opção para gerir os destinos do Município, e para isso tem de trabalhar muito, tem de estar próximo das pessoas, em cada rua, em cada Freguesia, em cada Vila e com todas e com todos os Vimaranenses.
GS – Quais são os principais desafios que se colocam ao PS de Guimarães depois da derrota eleitoral das autárquicas de 2025 e que determinaram o fim de 36 anos de poder socialista?
PM – O Partido Socialista tem dois desafios centrais no seu horizonte:
Mobilizar as suas estruturas em todo o Concelho, fazendo delas a base para desenvolver um projecto político alternativo aquele que está hoje no poder.
Conseguir ter um espaço de intervenção na sociedade Vimaranense que lhe permita afirmar esse projecto político alternativo e convencer os Vimaranenses que somos mesmo a melhor solução para Guimarães.
Como fazemos isto? Com muito trabalho, com muita dedicação, ouvindo as estruturas, ouvindo os vimaranenses e tendo uma liderança capaz de fazer esta afirmação pública do nosso caminho, das nossas ideias e do nosso projecto político.
GS – Como pretende unir o partido sendo evidentes divisões internas em consequência das últimas eleições autárquicas?
PM – O Partido vai eleger no próximo fim de semana uma nova liderança. A partir desse momento, estou convencido, e falo com elevado grau de certeza porque conheço bem todos os intervenientes, o Partido vai dar passos importantes na união de todas as suas sensibilidades e vai unir-se de forma séria, comprometida e competente na construção da alternativa que os Vimaranenses esperam de nós. Não imagino outro cenário e da minha parte, seguramente, outra coisa não acontecerá.
GS – Que “princípios e valores” assume perante os militantes com a sua candidatura?
PM – Os princípios e valores do Partido Socialista são claros e estão inscritos na sua Declaração de Princípios, dos quais destaco com fervor e alegria a Liberdade, a Igualdade e a Solidariedade, mas além desses princípios e valores que me levaram a aderir ao Partido Socialista, quero assumir perante os militantes que terão um líder Concelhio de trabalho, de diálogo com todos e próximo das raízes do Partido e da comunidade. O Partido Socialista é o partido do Povo, é o partido daqueles que defendem que uma sociedade só é efectivamente melhor se for melhor para todos, é o Partido que defende que independentemente do sítio ou do berço onde nasçam, todos devem ter acesso às mesmas oportunidades para se tornarem cidadãos inteiros, fortes e capazes, é o Partido onde defendemos que a liberdade acarreta responsabilidade, e é, acima de tudo, um Partido de progresso, um Partido sempre em busca de uma sociedade melhor, no nosso caso, de um Concelho melhor para todas e para todos os Vimaranenses.
GS – Se vencer as eleições, que estratégia e metas quer implementar na direcção política da Comissão Política Concelhia?
PM – A estratégia é clara e as metas a alcançar também: No que diz respeito à estratégia, o Partido Socialista tem de solidificar as suas bases em todo o território concelhio, em cada freguesia, em cada um dos nossos eleitos, em cada um daqueles que deu a cara pelo Partido Socialista e em cada um que depositou em nós a sua confiança. Este é um trabalho que tem de ser exaustivo, mas que é fundamental para o nosso futuro e para permitir ao Partido Socialista ser o instrumento transformador da sociedade que foi nas últimas décadas. Já no que toca às metas, elas são também bastante claras: o Partido Socialista tem de, em 2029, estar em condições de apresentar uma alternativa e um projecto político capaz de se apresentar aos vimaranenses como a melhor solução para o nosso Concelho. Para isso precisa de se capacitar internamente, mas precisa também de ouvir a comunidade, de ouvir aqueles que estão no território mas também aqueles que pensam o território, de ouvir a sociedade civil, as suas preocupações e as suas ideias, de ouvir os vimaranenses e de se preparar para um combate político difícil, mas para o qual, certamente, estaremos preparados.
Publicado em: 19/06/2026