Este sábado, o Grupo Santiago promoveu um debate com os candidatos à Câmara Municipal de Guimarães. Foi o único frente a frente que juntou os sete candidatos que disputam a presidência do Município e que decorreu no auditório da Biblioteca Municipal Raul Brandão, onde participaram Nuno Vaz Monteiro, Ricardo Araújo, Ricardo Costa, Joaquim Teixeira, Mariana Silva, Manuel Silva e Gil Leitão.
Ora o polémico tema da alteração do PDM (Plano Diretor Municipal) foi o assunto que mais dividiu os candidatos, com todos eles a responsabilizarem o PS, e sobretudo o candidato Ricardo Costa.
Nuno Vaz Monteiro, do Chega, falou em mixórdia. “O PS é responsável por esta mixórdia. O assunto devia ser explicado na Assembleia Municipal, para saberem quais as grandes diferenças entre o que a Câmara pretendia fazer e o que o Dr. Ricardo Costa quer fazer. Todo o processo tem praticamente que voltar à estaca zero”, sublinhou o candidato.
Ricardo Araújo da Coligação Juntos por Guimarães, também não teve dúvidas em apontar o dedo ao PS, que no seu entender tem “responsabilidade exclusiva por, passados sete anos, Guimarães ainda não ter um PDM revisto, com prejuízos para o concelho e para os vimaranenses, com falta de terrenos e os preços a subirem. A posição do PS é ridícula, porque inviabiliza a aprovação do PDM que foi aprovado por si próprio”, acrescentou o candidato a presidente da Câmara. .
Ricardo Costa defendeu-se das críticas. O líder da candidatura do Partido Socialista começou por notar que “sempre disse que a revisão devia ficar para o próximo executivo. Não era coerente e oportuno aprovar o PDM quatro ou cinco dias antes das eleições. Se calhar fui o único adulto na sala que disse isto ao Senhor Presidente da Câmara. Vamos aprovar este PDM em Novembro e na primeira reunião de Câmara reabriremos o assunto para iniciar uma estratégia com várias alterações”, complementou.
As críticas ao processo voltaram pela voz de Joaquim Teixeira, do Bloco de Esquerda, que adiantou que existe “a obrigação de governar com o que foi aprovado anteriormente. O PS levou sete anos para fazer uma revisão do PDM, vamos imaginar que teríamos agora de mudar por perrices, por uma zanga de comadres. Há que trabalhar com o PDM que temos. Não pode haver incongruências e tricas em política, porque Guimarães sai prejudicado. Se não houver consenso, vamos esperar mais sete anos?”, questionou o candidato bloquista.
Mariana Silva, da CDU, também não tem dúvidas quanto à responsabilidade no processo e atirou várias críticas a Ricardo Costa. “Isto resulta da falta de transparência que já conhecemos do PS. A CDU foi clara no fim da consulta pública, não podemos continuar a acreditar que estamos num concelho que hoje quer neutralidade carbónica e amanhã quer três parques de estacionamento no centro da cidade. Durante sete anos nunca ouvimos qualquer crítica que fizesse acreditar que houvesse discordância entre o PS”, vincou.
Críticas mordazes surgiram também pela voz do candidato da ADN. Manuel Silva disse que a situação em causa “parece os meninos que quando têm a bola não deixam jogar os outros, quer da parte do PSD, quer da parte do PS”, e insurgir-se também contra “o Chega que é um vazio completo que concorda com o PSD”. “O PDM não vem ao encontro dos vimaranenses e obriga-os a ir para outras terras. Temos que permitir construir em áreas mais pequenas nas aldeias. Há imbecis nas universidades e os vimaranenses sofrem com isso. O PSD e o PS não podem continuar a brincar com os vimaranenses”, finalizou.
A última intervenção sobre o tema pertenceu ao liberal Gil Leitão. “Este é um processo bastante antigo, mal definido, onde não houve preocupação com os vimaranenses e o problema da habitação e mobilidade acentuou-se. Houve consenso dentro do PS, mas agora deixou de haver. Passou a ser algo que deixou de ter sentido. Qual é o interesse? Os vimaranenses ou que o se passa internamente no PS? A posição era de total abertura para discutir na Assembleia Municipal. Somos a favor de criar um PDM que reflita os interesses dos vimaranenses”, disse o candidato da Iniciativa Liberal.
Publicado em: 04/10/2025