É um refúgio verde, amplo e tranquilo, aberto à comunidade, situado na margem direita do rio Febras, na Quinta da Ponte, na freguesia de São Salvador de Briteiros, estendendo-se pelos terrenos agrícolas do solar onde viveu no século XIX Francisco Martins Sarmento e ali recebeu personalidades ilustres como Camilo Castelo Branco.
O Museu da Cultura Castreja ocupa essa icónica casa – o Solar da Ponte – , onde o sábio vimaranense ficava alojado durante os trabalhos arqueológicos que efectuou na Citânia de Briteiros e no Castro de Sabroso, possuindo agora um parque aberto à comunidade como atrativo complementar.
Na inauguração realizada em ambiente de festa, ao final da tarde do passado sábado, o Presidente da Câmara agradeceu à Sociedade Martins Sarmento a parceria estabelecida com a União de Freguesias de Briteiros São Salvador e Briteiros Santa Leocádia e o Município de Guimarães que tornou possível a valorização de um património natural que fica ao dispor de todos.
Ricardo Araújo realçou o impacto do novo espaço para o território e para a população, elogiando a persistência do Presidente da Junta para a concretização de um sonho que tornou possível a reabilitação, devolvendo o espaço à fruição da comunidade”. “Temos um belíssimo parque urbano que orgulha não só Briteiros. É um parque que orgulha Guimarães! É um parque para servir Guimarães”, disse Ricardo Araújo, acrescentando: “temos de cuidar e de tratar bem o centro da cidade, como temos de cuidar e tratar bem as restantes freguesias de todo o concelho. Temos de olhar com atenção, perceber quais são as necessidades, as vontades e anseios de toda a população. As freguesias que estão na extremidade do concelho merecem a mesma atenção, o mesmo cuidado e a mesma valorização”. “Este é um parque que representa bem o que queremos do nosso concelho”, frisou, ao salientar que o projecto assume particular significado em 2026, ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia.
Para Ricardo Araújo, o parque florestal que servirá para complementar os atrativos existentes naquela área como o Museu de Cultura Castreja e a Citânia de Briteiros traduz a ambição de deixar transformações visíveis no território. “O principal legado que queremos deixar passa pela consciencialização da nossa comunidade para a importância da defesa do ambiente e da sustentabilidade, mas também por transformações no território. Este projeto é um exemplo claro dessa ambição”, vincou.
O espaço integra agora percursos pedonais e áreas com equipamentos destinados ao lazer, num trabalho assente em princípios de renaturalização e engenharia ecológica. Ricardo Araújo sublinhou precisamente essa dimensão, considerando que “é tão importante preservar e recuperar o património natural como devolvê-lo à comunidade, para que as pessoas possam usufruir e desfrutar desta riqueza ambiental e ecológica”. Para o autarca, a intervenção contribui diretamente para o objectivo de fazer de Guimarães uma referência europeia de qualidade de vida.
O Presidente da União de Freguesias de Briteiros São Salvador e Briteiros Santa Leocádia recordou que o projeto começou a ganhar forma em 2021 e destacou o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos para concretizar uma ambição partilhada pelas diferentes entidades parceiras. Diogo Costa reconheceu o contributo do novo espaço para a valorização da envolvente patrimonial de Briteiros. “Este é mesmo um projeto de todos: da nossa comunidade, da freguesia e do concelho. Foi preparado para os nossos, mas também para dar condições a quem nos visita e para colocar as pessoas mais perto da natureza”, frisou.
Com vocação para acolher diferentes utilizações, desde piqueniques e atividades de lazer a concertos, festivais, acampamentos e iniciativas desportivas, o parque foi pensado para conciliar a fruição pública com a preservação da biodiversidade. “É um parque que quer ser casa, casa de todos”, resumiu o Presidente da União de Freguesias, apelando também à responsabilidade colectiva na proteção e manutenção do espaço.
O Presidente da Sociedade Martins Sarmento enquadrou a concretização do projecto no legado de Francisco Martins Sarmento e na longa ligação da instituição à Quinta da Ponte. “Foi a sua generosidade e dedicação à comunidade que permitiu que hoje, 126 anos após a sua morte, se concretizasse este aproveitamento dos antigos terrenos agrícolas da Quinta da Ponte”, evocou Antero Ferreira, ao precisar que a quinta integrava a residência da família de Martins Sarmento, as casas habitadas pelos trabalhadores rurais, alpendres, curraais, eira, espigueiro e os terrenos adjacentes utilizados no cultivo de cereais, vinha, produtos hortícolas e árvores de fruto. “Desde 2003, na sequência do restauro do solar para instalação do Museu de Cultura Castreja, a Sociedade Martins Sarmento pretendia destinar este espaço para a fruição pública, tendo inclusive elaborado um projecto para uma quinta pedagógica”, lembrou, ao lembrar que, entretanto, em 2018, concluiu-se que a utilização mais adequada seria a criação de um parque de lazer. “Há vários anos que a Sociedade e Junta de Freguesia têm equacionada a possibilidade de criação de um parque. A associação do Município a esta ideia fortaleceu e acelerou este projecto”, observou, agradecendo às equipas do Município, do Laboratório da Paisagem e da Vitrus Ambiente o seu empenho e dedicação para a concretização do projecto, à União de Freguesias de Briteiros São Salvador e Briteiros Santa Leocádia pela excelente articulação mantida.
“Se hoje cumprimos uma primeira fase, temos ainda alguns desafios: o mais urgente e fácil de concretizar é o aproveitamento do espigueiro e eira na entrada do Parque, oferecendo aos visitantes uma cafetaria e instalações sanitárias. É um trabalho que urge iniciar até pelo risco que representa o estado actual do edifício. Contamos com o apoio do Município e já temos trabalho nesse sentido. A longo prazo e mais exigente, o aproveitamento das construções rurais anexas ao solar da Ponte para um projecto turístico”, partilhou Antero Ferreira, ao referir que são “ideias para continuar o legado confiado por Francisco Martins Sarmento”.
Desenvolvido pelo Laboratório da Paisagem de Guimarães, o parque florestal foi executado pelas equipas da Vitrus Ambiente, numa intervenção que obrigou a um exigente trabalho de limpeza e regularização do espaço, anteriormente caracterizado pela densa vegetação, abrangeu uma área de seis hectares de antigos terrenos agrícolas, atravessados por uma linha de água, onde existem ainda um alpendre, uma eira, um moinho e as estruturas graníticas que restam das habitações dos caseiros do Solar da Ponte, onde viveu no século XIX Francisco Martins Sarmento.
Publicado em: 06/07/2026