O Município liderado por Ricardo Araújo vai ter um orçamento de 220 milhões de euros para executar em 2026. A proposta das Grandes Opções do Plano e Orçamento da Câmara de Guimarães que inclui o Plano Plurianual de Investimentos, o Regulamento de Execução Orçamental e o Mapa de Pessoal 2026 foi aprovada por maioria durante a última reunião do Executivo vimaranense, merecendo a abstenção da Oposição socialista.
O Presidente da Câmara realçou a “fortíssima aposta no investimento público”, com um plano de actividades que destaca áreas como a habitação, a mobilidade, a educação e a saúde, “ao mesmo tempo que promove uma redução dos impostos” no sentido de promover “o aumento do rendimento disponível e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos”. “É um orçamento que traça o nosso compromisso com os vimaranenses”, assinalou Ricardo Araújo, ao reconhecer a continuidade de obras previstas pelo anterior Executivo, mas também a suspensão de outras que já estavam programadas, como é o caso da requalificação da Avenida D. João IV, a reconversão da Fábrica do Alto, em Pevidém, e a instalação da Loja do Cidadão na antiga Fábrica da Madroa. De fora do plano de investimentos fica a construção da via do Avepark.
Na análise da proposta, o vereador socialista Ricardo Costa considerou que o plano orçamento “não aponta caminhos”, argumentando que “mais parece uma manta de retalhos”, recordando a importância estratégica da via “como ativo estratégico para o Avepark”, advertindo que o Município poderá vir a ser obrigado a devolver fundos comunitários pela sua não concretização. “Nada é dito sobre as EN 101, EN 105 e as novas vias para acesso às zonas industriais, nem sobre a grande confusão em frente ao Hospital”, continuou, insistindo que o plano e orçamento assenta em “obras lançadas pelo executivo PS”. “Estávamos à espera de muito mais na economia, na habitação, na mobilidade, no desporto e na área social”, frisou o representante socialista.
O Presidente da Câmara reagiu, ao vincar que “a via do Avepark era um projecto do anterior executivo”, lançando a interrogação: “Qual é o espanto? Qual é a novidade? Ao contrário do PS, sempre defendemos uma nova saída na auto-estrada para a zona Norte, articulada com a requalificação da EN 101 e a melhoria do acesso ao Avepark”. “Não podemos fazer de conta que não há um histórico! 40 milhões de euros foi o valor apontado para o projecto, valor insuficiente, mas toda a gente percebeu que não seria possível concretizar a tempo do PRR”, acrescentou.
O vereador socialista Sérgio Silva interveio para considerar que “tão ou mais importante do que a via é pugnar por uma solução”, ouvindo do Presidente da Câmara que no próximo mês de Janeiro o Ministro das Infraestruturas visitará Guimarães.
Durante a discussão, o vereador socialista Ricardo Costa assinalou que a anterior proposta de requalificação da Avenida D. João IV foi aprovada por unanimidade, com o voto favorável de Ricardo Araújo, então na qualidade de vereador da oposição. “Estou ao seu lado porque naquela artéria circulam 500 mil carros por mês e é preciso conjugar circulação, pedonalização e aparcamento”, frisou.
A vereadora socialista Gabriela Nunes manifestou preocupação com os novos desafios e exigências que afetam a realidade concelhia, considerando que as respostas sociais de apoio à infância e da terceira idade não podem ser descuradas no orçamento municipal. “Nos lares de idosos é muito difícil arranjar uma vaga. É preciso aumentar o número de vagas comparticipadas”, indicou.
O Presidente da Câmara assegurou que “não haverá redução nenhuma” nos apoios ao sector social. “Do ponto de vista orçamental não haverá reduções, vamos estar preparados para reforçar o que tivermos de reforçar”, afirmou, ao dar conta que o Município está a efectuar um levantamento junto das instituições sociais para averiguar se têm possibilidade de aumentar o número de vagas. “A nossa primeira opção passa por apoiar, com algum investimento para garantir o aumento de capacidade. A segunda opção poderá ser complementar, mas só em caso de necessidade, avançaremos para a construção de uma creche”, adiantou Ricardo Costa, referindo que será dada a devida à soluções de apoio aos seniores e aos nossos idosos. “Estamos aqui para cumprir com as propostas assumidas junto dos vimaranenses e dar sequência e reconhecer o bom que vem de trás. É com essa atitude que vamos continuar”, assinalou, ao sublinhar que o documento “dá um sinal claro do que queremos para o futuro”. “Ao mesmo tempo que fazemos a redução fiscal apresentamos um plano e orçamento com fortíssimo investimento público nas áreas da habitação, saúde, educação e mobilidade. É um grande esforço orçamental para conseguirmos cumprir com obras que grande parte delas estavam previstas já pelo executivo anterior, mas que não estavam realizadas”, sustentou.
“Em virtude de sucessivos atrasos que ocorreram no passado, as obras do PRR estão concentradas no último ano, o que obriga e condiciona imenso o orçamento municipal. Queremos cumprir com as obras que são fundamentais para Guimarães e têm financiamento do PRR. Em 65 milhões de euros de investimento, cerca de 50 por cento tem financiamento do PRR e os restantes 50 por cento é do orçamento municipal, das receitas próprias ou do recurso ao endividamento bancário”, anotou.
O orçamento do Município de Guimarães será em 2026 de 220 milhões de euros, prevendo receitas correntes que superam as despesas correntes, com um saldo de 27 milhões de euros para reforço do investimento municipal, sendo o Investimento global de 131 milhões de euros.
Publicado em: 09/12/2025