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Oposição preocupada com situação financeira da Vimágua; Presidente da Câmara manifesta “confiança” na gestão

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A situação económico-financeira da Vimágua motivou uma intervenção do vereador do PSD, Hugo Ribeiro, no período antes da ordem do dia, na última reunião do Executivo vimaranense.

O representante social-democrata pronunciou-se sobre a informação do fiscal único constante na agenda de trabalhos, sustentando que “a empresa vende água, em regime de monopólio e, ainda assim, apresenta rácios que a colocam numa situação muito frágil”. “É verdade que estes valores não são suficientes para que o parecer do fiscal único seja negativo”, salientou, mostrando-se preocupado com “os indicadores de liquidez estão muito baixos”. “Uma liquidez geral de 0,70% significa que os activos circulantes da Vimagua cobrem apenas 70% das suas obrigações de curto prazo, o que deixaria qualquer gestor responsável preocupado. Na prática isto significa que a empresa pode enfrentar dificuldades no cumprimento dos compromissos de curto prazo”, afirmou, acrescentando que “a liquidez reduzida – um indicador que relaciona o valor do activo circulante sem existências com o passivo circulante total – é ainda mais baixo, 0,66%”.

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Durante a sessão, Hugo Ribeiro realçou que “a taxa de cobertura dos capitais próprios permanentes é de 86,16% e que quando este valor é inferior a 100% , os capitais próprios mais o passivo não circulante não são suficientes para financiar os activos fixos”. “A empresa está a financiar os seus activos fixos com recursos de curto prazo”, continuou, ao acrescentar que “a autonomia financeira é de 42,13%”, quando”o mínimo admitido está entre os 30 e os 40%”. “Caso a Vimágua precisasse de liquidar os seus activos, não seria capaz de saldar todas as suas dívidas. A isto chama-se uma empresa em risco de insolvência, que só não o é por força do seu estatuto de empresa intermunicipal”, explicou, ao sublinhar que “o retrato que o fiscal único apresenta é o de uma empresa com grandes problemas de liquidez e uma enorme fragilidade na estrutura financeira, em especial pela incapacidade de cobrir obrigações de curto prazo e por fazer o financiamento de activos permanentes com recursos de curto prazo”.
“Apesar do cash flow ser positivo e de ter uma rentabilidade marginal, a eficiência operacional e a capacidade de gerar valor para os acionistas é duvidosa”, prosseguiu.

“A Vimágua, sem uma redução de custos, uma melhoria das margens e um fortalecimento da liquidez, é uma empresa que apresenta sérios riscos financeiros no curto/médio prazo. É por esta razão que tem grandes dificuldades de se financiar no mercado como qualquer outra empresa e é por isso que pretendiam transformar a dívida que a empresa tem ao Município em capital social”, declarou, ao lembrar as decisões do Tribunal de Contas que impediram a pretensão de aumentar o capital. “Na dificuldade de se financiar nos mercados, por ter uma situação económico-financeira muito frágil, a solução encontrada para a sobrevivência da Vimágua foi a obtenção de um empréstimo a longo prazo (30 anos) junto do Município, em condições que nenhuma empresa conseguiria junto de uma instituição financeira”, concluiu.

Na reacção, o Presidente da Câmara foi peremptório a dizer: “a Vimágua é uma boa empresa, que goza de uma boa situação financeira”. “A Câmara de Guimarães detém 90 por cento do capital social e a de Vizela 10 por cento”, lembrou, recordando que desde a sua criação entendeu-se que “as infraestruturas teriam de pagar uma renda e à medida que iam sendo substituídas deixaria de ser paga”. “Os Municípios continuaram a exigir a extensão de novas redes para atingirem 100 por cento na distribuição de água e na captação de saneamento e substituição das que precisarem. Com essa necessidade, a Vimágua pediu para que se suspendesse o pagamento dessa renda durante estes anos todos, atingindo um valor de 9 milhões de euros. A Vimágua deve esse valor às Câmaras de Guimarães e Vizela”, alegou, ao referir que “o que é normal nas empresas é os sócios fazerem suprimentos, empréstimos às sociedades, e em determinado momento possam passar esses suprimentos a capital social. A lei de 2013, em meu entender está mal, não é o Tribunal de Contas, mas é a lei que não deixa que os empréstimos das autarquias sejam transformados em capital social”. “O que faz com que a situação financeira da Vimágua não seja tão boa é essa dívida às Câmaras”, explicou, ao justificar a importância dos investimentos que a empresa intermunicipal faz na extensão e beneficiação das redes de água e saneamento.

“É uma questão de saúde pública e de defesa do ambiente”, enumerou Domingos Bragança, ao frisar: “na minha análise técnico-financeira a Vimágua está bem, tenho uma confiança enorme na gestão da Vimágua, embora condicionada pelo serviço público que presta, não podendo só ser avaliada pela rentabilidade”.

*Texto publicado na edição de 29 de janeiro de 2025 do jornal O Comércio de Guimarães.

Publicado em: 30/01/2025

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