O eclipse do sol foi observado ontem ao final da tarde na sua quase totalidade em Guimarães, juntando centenas de pessoas nos pontos mais altos do Concelho.
Na Citânia de Briteiros, a observação do fenómeno foi complementada com uma visita guiada ao sítio arqueológico, numa iniciativa da Sociedade Martins Sarmento, acompanhada por arqueólogos que explicaram a ligação entre estes fenómenos astronómicos e a evolução da humanidade.
Os participantes, oriundos de vários pontos do País e da vizinha Espanha, olharam para o disco solar, com os olhos devidamente protegidos com os óculos previamente fornecidos pela organização, numa experiência que procurou elucidar que as sociedades do passado interpretavam o obscurecimento repentino do Sol ou da Lua como um indicador de descontentamento ou ira divina.
Residente em Braga, Mónica Morais veio com o marido e dois sobrinhos residentes em Vila Real assistir ao fenómeno na Citânia de Briteiros, acompanhando a sua evolução durante mais de uma hora: o eclipse começou às 18h34, com a entrada na fase parcial. O momento de maior ocultação aconteceu às 19h31″. Sentiu-se o repentino obscurecimento e uma ligeira descida da temperatura. “Um momento inesquecível e memorável”, realçou, ao sublinhar que já tinha visitado a Citânia e ficou “fascinada”. “Quando me apercebi da divulgação desta actividade rapidamente fiz a inscrição para podermos assegurar a presença”, explicou, acompanhada do marido e de dois sobrinhos. “Foi muito interessante, um facto que raramente acontece! Foi uma oportunidade impressionante para os meus sobrinhos em especial, porque certamente nunca mais se vão esquecer deste dia”, continuou, ao qualificar a experiência como “esplêndida”.
O marido considerou a iniciativa “uma lição” porque pela primeira vez entrou e percorreu aquele o antigo povoado castrejo conjugando essa experiência com a observação do eclipse. “Foram dois eventos espectaculares”, disse, ao referir a componente didática especialmente para as duas crianças, o que levou David a considerar o momento inigualável. “Mal os nossos tios falaram deste programa, ficamos muito entusiasmados! Está a ser muito fixe! Tenho 11 anos e depois das férias vou para o 5º ano e história é uma das minhas matérias preferidas”, avaliou, fazendo questão de sublinhar que, nos dias anteriores, fez pesquisas sobre a Citânia de Briteiros na internet para conhecer melhor aquele lugar.
Presente na iniciativa, acompanhado pelos vereadores Isabel Ferreira e Constantino Veiga, o Presidente da Câmara utilizou o óculos de proteção durante a observação, de “um fenómeno especial, visto num espaço e num enquadramento mais do que especial, como é a Citânia de Briteiros”. “A conjugação destes dois factores torna este momento e este evento extraordinário e único. A nossa Citânia de Briteiros é um património de que nos orgulhamos muito em Guimarães e poder observar este fenómeno do eclipse neste contexto e enquadramento é especial”, acrescentou Ricardo Araújo.
A actividade começou com uma visita guiada por António Ribeiro, seguindo-se uma conversa orientada pelas arqueólogas Paula Ramalho e Sofia Silva sobre o impacto deste fenómeno astronómico que, ao longo dos tempos, sempre impressionou a Humanidade, proporcionando aos participantes um momento de encontro e confraternização.
O Presidente da Sociedade Martins Sarmento mostrou-se satisfeito com a adesão e interesse das pessoas, constituindo “uma forma de divulgar a Citânia de Briteiros”. Perante o elevado número de pessoas que manifestaram o desejo de participar na actividade quando as inscrições já estavam atingidas, Antero Ferreira deixou o convite a virem conhecer aquele monumento nacional neste período de férias.
Publicado em: 13/08/2026