Os cravos vermelhos tornaram-se o símbolo da liberdade conquistada a 25 de abril de 1974, continuando a ser a flor eleita para assinalar o aniversário da data em que caiu a ditadura do Estado Novo.
Maria Rosa Vieira da Silva vende flores no Mercado Municipal há quase seis décadas, “uma vida cheia”, rodeada pelas cores e pelos aromas dos inúmeros ramos e dos arranjos para as mais diversas cerimónias.
Por ocasião do 25 de abril, todos os anos, os cravos vermelhos ocupam uma parte significativa do seu espaço, rivalizando com as outras flores a preferência dos clientes. Embora durante a manhã não tenha vendido os molhos que esperava, mostra-se confiante que a encomenda que fez venha a esgotar como no ano passado. “Os cravos vermelhos são a expressão da liberdade e há ainda muitas pessoas que gostam de sair à rua com o cravo ao peito ou mão. Hoje, não vendi muito, o negócio está parado. Mas, o 25 de Abril é só amanhã”, salienta, ao referir que cada “molho” custa seis euros.
Nasceu na Póvoa de Lanhoso e veio para Guimarães com 14 anos, “para servir numa casa onde os patrões tinham uma quinta, em São João de Ponte, com uma estufa” e “vinha já vender flores ao mercado”. Essa experiência deu-lhe força e conhecimentos para seguir outra vida e iniciar o negócio por conta própria. “Comecei a vender flores no antigo mercado e vim para aqui quando mudaram as instalações. Se deixar isto, acho que morro”, afirmou, sorrindo, rodeada pelos cravos, indicando que “o mercado é como uma extensão da casa. “Encomendei quatro baldes de cravos, um pouco mais do que no ano passado porque esgotaram. Vamos ver se os vendo todos”, acrescentou, ao observar que “as flores secas – as statis – ” são as mais procuradas durante todo o ano.
Com a aproximação do 25 de abril, renova-se sempre o desejo de reavivar o simbolismo dos cravos vermelhos, perpetuando a memória da florista que na manhã do dia 25 de Abril de 1974, em Lisboa, distribuiu estas flores aos militares que se encontravam nas ruas. E assim se tornaram um ícone da liberdade e da paz em Portugal, porque os soldados puseram os cravos na ponta das espingardas e não dispararam qualquer tiro.
Publicado em: 24/04/2026