A discussão em torno do projecto de Metrobus (BRT) voltou a marcar a reunião do executivo municipal de Guimarães, antes da ordem do dia, com críticas duras do vereador do Partido Socialista, Ricardo Costa, e a reafirmação do compromisso do presidente da Câmara, Ricardo Araújo, com a solução sufragada nas últimas eleições autárquicas.
Ricardo Costa considerou o BRT “uma má solução” para o concelho, defendendo que o traçado previsto, maioritariamente ao longo da Estrada Nacional 101, irá agravar de forma “significativa” os problemas de mobilidade já existentes entre Guimarães e as Taipas. O Vereador socialista alertou para a “falta de fluidez” da via, para a “inexistência de parques dissuasores conhecidos” e para o facto de o projecto não servir “pólos estruturantes” como hospitais, universidade, estação ferroviária ou zonas comerciais, o que, no seu entender, inviabiliza a retirada de automóveis da estrada.
O socialista voltou ainda a defender que a verdadeira solução estruturante para a mobilidade regional passa pela ligação ferroviária entre Guimarães e Braga, com integração na futura rede de alta velocidade, apelando à inscrição desse investimento no Plano Ferroviário Nacional.
Outro dos pontos centrais da intervenção de Ricardo Costa foi a alegada contradição nas declarações do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz. O vereador recordou que, a 7 de Outubro de 2025, o município anunciou que o Governo assumia o financiamento integral do BRT, na sequência de uma reunião realizada a 6 de Outubro. Contudo, a 13 de Janeiro de 2026, o ministro afirmou estar ainda a analisar o projecto e os mecanismos de financiamento, o que, segundo o PS, levanta dúvidas sobre a veracidade dos compromissos assumidos anteriormente.
Em resposta, o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, sublinhou que o tema foi “amplamente debatido” durante a campanha eleitoral e que os vimaranenses validaram, nas urnas, a solução do Metrobus. “O que me move neste momento é cumprir com aquilo com que me comprometi com os vimaranenses”, afirmou.
O Autarca reiterou que a primeira fase do projecto prevê a ligação de Guimarães às Taipas e ao AvePark, defendendo o BRT como uma solução financeiramente “mais vantajosa, tecnicamente mais simples e mais rápida de executar” do que alternativas como o metro de superfície. Ricardo Araújo garantiu ainda que o canal do Metrobus será “dedicado e exclusivo”, rejeitando a ideia de que a circulação do BRT irá partilhar a via com o tráfego automóvel ao longo da EN101.
Relativamente às declarações do ministro, o presidente da Câmara afirmou não ver contradições, admitindo que o projecto sofreu “alterações” desde outubro e que apenas recentemente foi apresentado um estudo preliminar com maior detalhe. Acrescentou que, apesar das garantias políticas, o município só ficará plenamente seguro quando existir um compromisso formal e escrito do Governo quanto ao financiamento.
O presidente reiterou ainda que acredita no projecto e assumiu querer ficar “politicamente ligado à sua concretização”.
Publicado em: 27/01/2026