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Luís Filipe Silva: “Nunca deixarei que agendas próprias se possam sobrepor aos interesses do Vitória”

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O presidente da Assembleia Geral do Vitória, Luís Filipe Silva, explicou ao Grupo Santiago as razões que o levaram a agendar a Assembleia Geral Ordinária do clube para 6 de Novembro, quando estatutariamente deve acontecer em Outubro. O representante máximo dos associados deixa o apelo aos sócios para se informarem sobre os temas em causa e que compareçam nas próximos Assembleias.

Como Presidente da Assembleia Geral, que explicação é que dá aos associados para a Assembleia Geral Ordinária realizar-se em Novembro quando os Estatutos dizem que deve ser realizada em Outubro?: “Isto tem um contexto. Houve eleições há quatro meses, a saída extemporânea do anterior Presidente causou uma situação mais frágil, mas de qualquer maneira o Vitória tem os seus Estatutos, devem ser cumpridos. A primeira Assembleia Geral para a aprovação do orçamento, também ultrapassou a data porque a tomada de posse aconteceu apenas a 19 de Junho. Como é lógico, em termos processuais era impossível ser no mês de Junho. Não considero isso uma irregularidade, era uma impossibilidade processual. Agora, por que esta data? Eu fui chamado para uma reunião no dia 9 de Outubro para o Presidente do Vitória explicar o processo de negociação que estava a existir entre a SAD e a V Sports. É um processo extremamente extraordinário neste momento para o Vitória, tem a ver com o futuro do Vitória. Foi-me explicado que nessas negociações teria sido acordado que até ao fim do mês de Outubro teria que ser feita uma Assembleia Geral para os sócios decidirem, discutirem a questão da V Sports voltar a ter as ações que teve em 2023. Então, fui sensível à solicitação do Presidente. É lógico que estou perfeitamente ciente que estatutariamente a Assembleia Geral para aprovação de contas tem que ser até ao fim do mês de Outubro. Mas eu tenho que dizer aos sócios que, acima de mim e da minha pessoa, têm de estar os interesses do Vitória. Eu não posso ser politicamente correto neste aspecto. A Assembleia Geral é no dia 6, mas as contas, por minha exigência, são apresentadas de uma forma clara, muito atempadamente. Ou seja, processualmente, nada surge de negativo para o Vitória. Quando for a Assembleia Geral, já há muito os sócios têm acesso às contas. Foi também solicitado à Assembleia Geral um novo ponto para uma auditoria económica-financeira às contas do Vitória dos últimos anos. Analisei, falei com os Presidentes do Conselho Fiscal e do Conselho de Jurisdição depois de ter abordado o presidente Rui Rodrigues. Benhum, em caso algum, se opôs a esse ponto. Estou muito orgulhoso enquanto Presidente da Assembleia Geral, porque os associados têm conhecimento total, atempado, esclarecedor do que vai ser abordo. Por minha exigência à Direção e ao Presidente, vão ter acesso a todo o processo. O termo exigir é um bocado forte, mas é realidade. Exigi que fossem feitas sessões de esclarecimento, para que nada chegasse à Assembleia Geral sem estar esclarecido. Apelo para que estejam presentes, para que questionem, para que perguntem, para que saibam, porque realmente este ponto é importantíssimo para o futuro de Vitória.”

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Porque razão surgiram agora os esclarecimentos, no site do Vitória, que foram solicitados pelos associados?: “Depois da reunião do dia 9, que era uma sexta-feira, era necessário ter os timings necessários para marcar a Assembleia Geral ainda para o mês de Outubro, conforme foi solicitado. Ontem foi convocada a Assembleia Geral da SAD, já com todos esses elementos, e é-me dado o devido conhecimento. Na convocatória da Assembleia Geral Extraordinária, na informação aos associados, digo que os documentos que suportam os assuntos vertidos na ordem de trabalhos ficarão disponíveis para consulta de associados a partir do dia 22 de Outubro de 2026. Ora, não foram a partir do dia 22, mas sim a partir do dia. Ou seja, tudo está perfeitamente legal, com informação total da qual me orgulho e da qual fiz toda a força para que fosse apresentado.”

Não teme que os associados possam impugnar a Assembleia Geral Ordinária, tendo em conta o facto de não se realizar em Outubro?: “Não me parece. Eu assumo essa irregularidade. Enquanto Presidente da Assembleia Geral conheço os Estatutos. Serei sempre o garante do cumprimento dos Estatutos. Mas, o interesse do Vitória, o interesse em que os sócios tivessem total conhecimento sobre os diversos assuntos, fizeram-me levar a isto. Eu podia ter feito uma marcação da Assembleia Geral Extraordinária e da Ordinária para o dia 30. Mas, os assuntos são de tal forma importantes para o futuro de Vitória, principalmente a Assembleia Extraordinária, que eu tinha que dar o tempo necessário para que as pessoas tivessem o conhecimento, que vão ter, que já o estão a ter, e que pudessem discuti-lo de forma correta no tempo necessário. Não podia criar aos sócios essa força de terem que estar duas Assembleias Gerais, que era uma violência para os sócios. Portanto, assumi que era melhor assim, sendo que as contas e todos os pontos relativos à Assembleia Ordinária são apresentados muito atempadamente. É uma questão processual que é assumida. É criticável, assumo. A questão dos interesses do Vitória para mim esterão sempre acima. Eu nunca deixarei que agendas próprias se possam sobrepor aos interesses do Vitória. Nunca deixarei que o meu próprio interesse se sobreponha aos interesses que acho que são os interesses do Vitória e dos sócios do Vitória, mesmo podendo ser criticado. Eu sabia que estava sujeito a essa crítica. Não sou ingénuo. Mas, os interesses do Vitória, os interesses de dar a informação total, limpa, correta, em tempo útil, e para que os sócios possam numa Assembleia Geral decidir algo muito importante, estão sempre acima.”

São duas Assembleias Gerais com importância para aquilo que pode ser o futuro do clube, o futuro da SAD e a ligação à V Sports…: “Tenho uma opinião, mas não a irei dar por uma questão ética. Agora, quero apelar aos sócios para que, primeiro, compareçam nas sessões de esclarecimento que exigi. Lá será dada toda a informação sobre as diferenças estatutárias em relação ao que era em 2023, sobre o contrato parassocial. Os sócios têm que saber a importância para o futuro económico e financeiro de Vitória, a importância para o futuro dos êxitos desportivos de Vitória tem muito a ver com esta Assembleia Geral. É a minha opinião e por isso apelo que, na Assembleia Geral do dia 30, se informem, questionem, compareçam, votem em consciência, votem naquilo que pensem que é o melhor para Vitória e não falhem. O Vitória não é só o D. Afonso Henriques, não é só o pavilhão do complexo, o futuro de Vitória tem muito a ver com a Assembleia Geral Extraordinário. Enquanto presidente da Assembleia Geral nunca deixarei, por questões próprias, de defender o nosso clube.”

Como analisa as críticas que lhe têm sido feitas? Foi algo que não lhe surpreendeu?: “De forma alguma, de forma alguma. Não vou falar de casos específicos, muito menos de alguém em particular. Ao assumir o que estou a assumir, só mesmo por ingenuidade é que não saberia que seria alvo desses ataques. A tentativa de ferir o caráter das pessoas, normalmente vem de pessoas sem caráter. Mas, enquanto Presidente da Assembleia Geral, repito, a agenda pessoal, seja de quem for, nunca se vai sobrepor à generalidade e à totalidade dos sócios de Vitória. Eu não deixarei isso. Sou um sócio que fui sempre muito interventivo, agora sujeito-me à intervenção, sem qualquer problema. A Assembleia Geral do Vitória, comigo a Presidente, terá voz para todos os sócios. Nunca deixarei de tomar todas as medidas para que elas sejam livres, abertas e, acima de tudo, com toda a informação, conforme se pode ver, que eu exigi.”

Na Assembleia Geral Ordinária foi colocado um ponto em que vai ser discutida uma proposta que tem a ver com uma auditoria que foi pedida aos últimos anos da gestão da administração da SAD. Que pertinência tem esta auditoria?: “A clarificação das gestões do Vitória é sempre pertinente, é sempre um direito que os sócios têm que ter. Como é que eu me poderia opor? Da mesma forma, nenhum Órgão Social ou da Direção se opôs. Há um determinado número de sócios que me dirigiu uma missiva solicitando esse ponto, li, irei na Assembleia Geral fazer a demonstração total do que é o pedido, porque também pressupõe questões forenses. Foi exigido por mim que nessa Assembleia Geral, a Ordinária, fossem apresentadas três propostas de empresas credíveis, com os respectivos orçamentos, para que os sócios estejam inteiramente a par daquilo que estão a votar.”

E um orçamento para uma auditoria destas fica na ordem de…?: “Sinceramente eu não sei, mas também não é essa a preocupação. Eu acho que o Vitória vive um momento de grande clareza e divulgação de elementos aos sócios. Vimos isso agora através do Portal da Transparência da Direção. Este pedido vejo com a maior naturalidade, sem qualquer constrangimento, foi incluído, será explicado, quem de direito irá na Assembleia Geral, se assim desejar, falar sobre o assunto e os sócios votarão. É necessário? Pois seja, não vejo qualquer problema nisso.”

De alguma forma estas questões que sugiram nos últimos dias o incomodaram?: “Gostaria de dizer aos sócios que me deram a honra de ser o seu representante, que não tenham dúvidas, em caso algum, que será essa a função que eu tenho. A função de defender os sócios não pressupõe que não tenha a obrigação de criar as condições de serenidade para quem está a dirigir o Vitória. Uma Assembleia Geral não é um contrapoder, uma Assembleia Geral é o órgão máximo de serenidade para o clube. Essa serenidade que eu transmito, essa serenidade que eu quero que os sócios percebam e que os sócios sejam atentos e que apareçam, que vão às sessões de esclarecimento conhecimento e que contam sempre comigo, em qualquer altura, para pôr o Vitória à frente dos meus interesses, mesmo sendo criticado.”

 

Publicado em: 16/10/2026

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