“Não se regressa a casa. Volta-se ao lugar de onde se partiu.” A frase acompanha Lola Hourlier há vários anos e, de certa forma, ajuda a compreender tudo aquilo que a jovem realizadora francesa procura através do cinema.
Aos 24 anos, vive entre o Porto e Reims, entre duas línguas, duas culturas e duas formas distintas de olhar o mundo. Mas talvez a geografia mais importante da sua vida não seja feita de cidades nem de fronteiras. É feita dessa sensação permanente de estar entre lugares. Entre o que ficou para trás e aquilo que ainda está por construir.
Nascida em Rethel, nas Ardenas francesas, cresceu numa região que raramente ocupa o centro das narrativas mediáticas ou cinematográficas. Lugares pequenos, afastados dos grandes centros, onde muitas vezes partir parece ser a única forma de encontrar oportunidades. Partiu. E foi precisamente nesse movimento que encontrou a matéria-prima do seu cinema. “Partir das Ardenas com a sensação de que fugir era a única forma de sobreviver, e chegar a Portugal sem perceber exactamente o que tinha vindo cá buscar”, disse.
A culpa de quem sai. A memória de quem fica. A estranheza do regresso. A procura constante de pertença. Temas que atravessam a sua vida e que, inevitavelmente, acabam por atravessar também os seus filmes.
O cinema apareceu cedo. Primeiro através da fotografia. Depois da escrita. Mais tarde da música. Mas nenhuma dessas linguagens parecia suficiente para conter tudo aquilo que queria dizer.
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Publicado em: 26/06/2026