O Comércio de Guimarães (CG) – É actualmente Vice-Presidente da Santa Casa da Misericórdia e nestas eleições antecipadas concorre ao cargo de Provedora. Porque é que decidiu fazê-lo?
Laurinda Lemos (LL) – Pretendemos um profundo sentido de responsabilidade e estamos movidos pelo compromisso de servir melhor, gerir com transparência e honrar os valores e todo o passado desta instituição do qual nos orgulhamos e, fundamentalmente, garantir uma das questões importantes que é a sustentabilidade e a sua relevância no futuro.
CG – Quando fala em sentido de responsabilidade, compromisso, transparência, sustentabilidade, são críticas à actual mesa administrativa?
LL – Não, nada disso. A nossa missão não é criticar ninguém. Sabe que cada Provedor tem os seus planos, os seus projectos e isto é dinâmico. Nós definimos uma estratégia estruturada, ética, orientada para a confiança e credibilidade e envolvimento de toda a comunidade dos irmãos da Santa Casa da Misericórdia. Desenhamos uma proposta nova. A solidariedade e a sustentabilidade hoje em dia são muito difíceis de gerir e esta articulação é um desafio porque, como sabe, as questões económicas, as questões da nossa responsabilidade com a solidariedade são muito difíceis. Portanto, eu não quero que, de maneira nenhuma, entenda que a minha candidatura é uma crítica. Não, a minha candidatura foi estruturada.
CG – Portanto, não é um projecto de continuidade?
LL – É um projecto completamente inovador. Nós temos outros valores, outra missão, outra visão. Pronto, eu era vice-presidente, mas agora é um passado, por isso é que o meu lema é o «passado e o futuro». Guimarães é muito grande e eu sendo médica e tendo esta vivência de médica há 40 anos, sinto que cada vez mais que os utentes precisam de muitos apoios, quer a nível da segurança social, quer a nível da medicação, que tudo isto é muito gritante para essa expressão, que é preciso alguém estar motivado para isso.
CG – Qual é o seu projecto para levar à prática na Santa Casa da Misericórdia?
LL – O que pretendemos, de facto, de forma imediata, é demonstrar aquilo que consideramos essencial, que é transparência, proximidade, continuidade de missão e sustentabilidade financeira, que são aspectos fundamentais. Há pontos fortes que nós gostaríamos também de enfatizar que é, no fundo, consolidar os serviços sociais existentes. Temos um grupo de grandes residências séniores, temos uma enorme quantidade de locais que dão atendimento e prestação de serviços de grande qualidade, mas temos que consolidar e ver se é preciso melhorar, com novas ideias, iniciativas inovadoras que melhorem a vida e a qualidade de vida dos utentes e dos seus cuidadores e família, ter uma transparência na gestão, ter comunicação directa de tudo o que se passa e, fundamentalmente, dar esta possibilidade dos irmãos, que normalmente é só nas assembleias gerais, ter esta possibilidade de conhecer e ter uma ideia dinâmica e real do que se passa. Consideramos fundamental ter uma equipa credível e representativa. Tive a sorte, porque todas as pessoas que abordei de todos me dizerem, à primeira, logo, o que sim. E, assim, construímos uma equipa com pessoas com experiência de instituição, Irmãos com reputação de integridade, que nós consideramos isso muito fundamental e essencial, e temos outra coisa extremamente importante, a nossa equipa tem representantes de vários grupos e classes de profissão, que vão nos dar uma perspectiva particular, isto é, interdisciplinar, para actuarmos e dar apoio solidário a todos os utentes.
CG – Na sua opinião, o que é que explica o facto de haver duas listas nestas eleições?
LL – Acho salutar, só mostra que a Santa Casa da Misericórdia precisa de ter muitas ideias, cada um tem a sua estratégia, logicamente que a outra lista tem também uma equipa que eu conheço a maioria das pessoas, outras não conheço, mas é assim, e desejo as maiores felicidades para eles. Agora, o meu projecto pretende demonstrar que nós, sem dúvida, somos a melhor opção e mostrar fundamentalmente que somos uma equipa credível e representativa e que temos pontos muito importantes a melhorar e só assim é que se consegue a inovação, a melhoria destas situações.
Publicado em: 29/01/2026