O Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, foi recebido, está terça-feira, pelo Presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, numa cerimónia realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, no âmbito de uma visita institucional destinada a reforçar as relações de cooperação e amizade entre os dois territórios.
No seu discurso de boas-vindas, o Presidente do Município destacou que “Cabo Verde encontra-se no abraço do percurso partilhado da lusofonia”, com um povo que soube afirmar a sua identidade, criar a sua cultura e construir o seu próprio caminho”. “Une-nos o chão de fundação, não apenas fruto da vontade dos povos, mas da persistência e da coragem e da resiliência que transformam origens e destinos”, sustentou Ricardo Araújo, sublinhando o significado a ligação de Guimarães a Ribeira Grande de Santiago com quem Guimarães está geminada desde 24 de junho de 2007″. “A Cidade Velha é o primeiro núcleo de Cabo Verde, lugar onde se afirmaram as bases de uma identidade própria, construída no cruzamento de influências, culturas e experiências. Tal como Guimarães representa o momento fundador da história portuguesa também esta cidade irmã representa uma importância histórica em Cabo Verde. Ambas as cidades são conhecidas como Património Mundial pela UNESCO, reconhecimento que sublinha o valor universal de dois lugares que testemunham processos históricos distintos, mas profundamente interligados”, frisou Ricardo Araújo, ao aproveitar a ocasião para homenagear o recentemente falecido professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, Wladimir de Brito, um dos “pais” da Constituição da República de Cabo Verde.
O Presidente da República de Cabo Verde também evocou a memória de Wladimir de Brito e o seu contributo para a construção da democracia, lembrando a sua deslocação àquele País em 2022, onde participou com uma conferência na celebração dos 30 anos da Constituição, considerando-o uma das referências da diáspora.
José Maria Neves indicou que a visita a Guimarães enquadra-se na sua presidência dedicada à diáspora. “A ideia é descobrir novos caminhos para o reforço das relações entre a diáspora cabo-verdiana e as ilhas, com o foco de possibilitar um contributo inovador para o processo de desenvolvimento de Cabo Verde, mobilizando todas as competências e capacidades da diáspora no domínio empresarial, académico, da educação, da saúde, das tecnologias digitais, das energias renováveis”, afirmou, ao considerar que “há enormes riquezas que poderão ser aproveitadas para acelerar o ritmo de transformação de Cabo Verde”. “A presidência quer mobilizar essas competências e capacidades mas também contactar as autoridades locais e nacionais, com as universidades, as empresas e ver como poderemos dinamizar as relações de cooperação entre Portugal e Cabo Verde”, assinalou o Chefe de Estado, que antes da recepção oficial no Município teve oportunidade de visitar a empresa Confecções Giliana, fundada Marcelino da Rosa, “outra referência da diáspora”.
Num gesto simbólico, o Presidente da Câmara de Guimarães ofereceu ao Chefe de Estado de Cabo Verde uma estátua de D. Afonso Henriques e o livro Síntese da Candidatura do Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros a Património Mundial da UNESCO, recebendo de José Maria Neves o livro “Quando nasce a República”, com uma compilação de textos e documentos marcantes da independência e identidade de Cabo Verde.
Em declarações aos jornalistas, o Presidente da Câmara de Guimarães manifestou o desejo de que a primeira viagem em representação do Município a um país de língua portuguesa seja Cabo Verde. “Quero retribuir esta distinção que o sr. Presidente da República nos fez com esta visita oficial. Guimarães é o berço da Nação, uma cidade histórica, com um grande património e tem a responsabilidade de contribuir activamente para a promoção da cooperação internacional, particularmente no espaço da lusofonia, nomeadamente das cidades lusófonas”.
Publicado em: 21/04/2026