O vice-presidente João Nuno Pacheco defende uma maior aposta do Vitória nas equipas de formação das várias modalidades. João Nuno Pacheco revelou, em declarações ao Grupo Santiago, que o Vitória vai manter o mesmo orçamento para as modalidades na época 2026/2027. Contudo, entende que essas verbas devem ajudar a construir um futuro com mais jogadores formados no clube.
O Vitória apresentou o grupo dos seccionistas das muitas modalidades que tem, além do futebol. Qual é a mensagem que o clube, com estes dirigentes, pretende passar para o futuro das modalidades?: “A mensagem que foi transmitida a todas as pessoas que integram o corpo directivo das modalidades do Vitória é que pretendemos ter sempre uma base formativa. Nós mantemos exatamente o nível orçamental anterior, mas com um foco cada vez maior na parte formativa das nossas modalidades. Ou seja, tudo que seja uma disposição orçamental tem que ser vocacionada em grande medida numa perspetiva de futuro, não exclusivamente dos plantéis seniores, mas focar no que no processo formativo. Nós temos de ter um processo formativo de excelência, para que essa base possa alimentar cada vez mais os nossos plantéis seniores.”
Entende o clube que só assim se pode construir um futuro sustentável nas modalidades?: “Nós não temos outra alternativa. Não podemos estar na expectativa todos os anos de criar novas equipas, de ir buscar estrangeiros de todas as formas e feitios. Nós não temos essa possibilidade, nós não temos essa disposição financeira. Eu acho que o Vitória tem de se centrar naquilo que é seu, naquilo que é nosso, naquilo que é a agregação da nossa sociedade em volta do que são as modalidades amadoras. Esse é que tem de ser o nosso foco, isso tem de ser aquilo que os sócios querem para as nossas modalidades, perceber onde é que se gasta o nosso orçamento. Tem de ser algo em que os sócios acreditem, que os sócios valorizem e que os sócios se sintam identificados. Eu acho que isso é fundamental.”
E como é que se constrói essa ideia junto dos dirigentes e dos adeptos do Vitória?: “A mensagem que pretendemos passar é que isto pode também ter repercussões em termos desportivos. Nem sempre uma política desta natureza tem rendimento desportivo imediato, isto leva ao seu tempo, tem o seu trabalho, existe trabalho. No basquetebol, por exemplo, já existem mais equipas a ser formadas, vamos ter os sub-23 para se reduzir a diferença entre o processo formativo e a plantel sénior. No voleibol masculino também temos a criação de mais duas equipas para começar a fomentar mais o processo formativo, já que o voleibol feminino é fortíssimo aqui em Guimarães. As demais modalidades também foram todas indicadas, vocacionadas para a ideia de que o processo formativo é fundamental.”
Regressando à questão dos seccionistas, este grupo que foi apresentado não conta com Fernando Monteiro, um histórico do basquetebol, e com João Paulo Alves, que liderava o atletismo. Houve alguma razão específica para estas mudanças?: “São ciclos que se fecham. Nos dois casos, agradecemos a disponibilidade e o voluntarismo com que elevaram as modalidades, mas os ciclos fecham-se. As formas de se trabalhar têm de ser alteradas, no caso do basquetebol foi exatamente isso que foi transmitido para o Fernando Monteiro, pessoa pela qual eu tenho um grande apreço e que tinha vindo a fazer um bom trabalho, mas as condições vão-se alterando. O excessivo voluntarismo, muitas das vezes já não se coaduna em grande medida com os tempos atuais. Foi isso que foi transmitido, tentamos elevar os níveis de exigência, fazer uma equipa um pouco mais completa, agregada, não tão centrada numa única pessoa e para levar a modalidade para a frente. No caso do atletismo foi um misto de situações, tanto da parte de objectivos que se queriam para a modalidade como o orçamento. Basicamente, o nosso objectivo era manter o orçamento e vai ser mantido e o objectivo do anterior responsável era aumentá-lo. Foi algo que criou logo aqui um problema porque seria para aumentá-lo para criar uma equipa de elite e torná-la cada vez mais competitiva. Uma intenção legítima, mas simplesmente não é a do Vitória. E também um problema funcional, porque o Vitória tem hierarquias, o Vitória tem formas de estar, tem formas de trabalhar e existem departamentos, como o departamento médico, em que as informações têm de ser respeitadas e quando assim não é, as coisas correm mal.”
Publicado em: 24/09/2026